
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Quatro dias após sua nomeação como novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei pronunciou-se publicamente pela primeira vez nesta quinta-feira (12). O chefe iraniano adotou um tom inflamado de crítica aos Estados Unidos, exaltou o pai — o aiatolá Ali Khamenei, a quem chamou de mártir —, fez juras de vingança e exortações religiosas. No entanto, como o discurso assinado por ele foi apenas lido na TV estatal (por uma voz feminina) e seu rosto aparecia em uma foto (estática), uma questão crucial permanece sem resposta: o paradeiro do novo líder político e religioso do país continua sendo um mistério.
De acordo com Mojtaba, ele soube da escolha de seu nome pela Assembleia de Peritos ao mesmo tempo que a população. Ele classificou como "uma tarefa difícil" ocupar o lugar que pertenceu a Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, e Ali Khamenei, seu herdeiro político. O iraniano afirmou, ainda, ter visitado o local onde o corpo de seu pai foi encontrado, após o bombardeio do dia 28 de fevereiro.
"Tive a honra de visitar seu corpo após o martírio; o que vi foi como uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho", declarou.
Críticas aos Estados Unidos
Mojtaba teceu críticas ao governo americano. Segundo ele, a vontade da população iraniana é pela continuidade do que chamou de "defesa eficaz e que cause arrependimento ao inimigo". Ele também defendeu que o Estreito de Ormuz permaneça fechado.
O chefe iraniano afirmou ainda que já foram realizados estudos para que os novos ataques — referidos por ele como ações de defesa — foquem em "frentes onde o inimigo tem pouca experiência e grande vulnerabilidade".
Em outro trecho, o aiatolá prometeu vingança pelas mortes de iranianos em ataques atribuídos aos EUA e a Israel, citando especificamente os bombardeios à escola Shajareh-Tayyebeh, em Minab. Aos países do Oriente Médio que abrigam bases americanas, Mojtaba "recomendou" o fechamento das estruturas, afirmando que "já perceberam que as promessas dos Estados Unidos de garantir paz e segurança eram falsas".
Aliados iranianos
Mojtaba também expressou gratidão ao chamado "Eixo da Resistência", basicamente formada pelos grupos terroristas Hezbollah, Hamas, Houthis. "Nossos melhores amigos", disse.
O líder agradeceu nominalmente ao Iêmen, ao Hezbollah e a a milícias no Iraque.
Paradeiro
Apesar do pronunciamento, seu paradeiro continua sendo um mistério. Ele não é visto desde o ataque realizado pelos EUA e Israel, em 28 de fevereiro.
Nesta quarta-feira (11), Yousef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian e assessor do governo, afirmou em mensagem no Telegram que Mojtaba estaria "são e salvo".
De acordo com fontes do regime ouvidas pela imprensa internacional, o novo chefe iraniano estaria hospitalizado, já que sofreu ferimentos nas pernas no ataque. Outro indício de que foi atingido no ataque seria o fato de que Mojtaba, em algumas oportunidades, foi citado pela mídia estatal como um "veterano de guerra ferido".
Não há informações oficiais sobre seu paradeiro nem se sabe se ele realmente está recebendo atendimento em algum hospital iraniano.




