
Em sete dias de guerra, o Irã vem adotando uma lógica de instaurar o caos com o objetivo claro de forçar governos da região a pressionar a Casa Branca para encerrar os ataques. O resultado: drones suicidas despencando sobre hotéis de luxo em Dubai e Abu Dhabi, regiões centrais da Arábia Saudita e praias do Catar alvejadas.
Ao adotar essa tática, os aiatolás dinamitam pontes inclusive com antigos aliados. O Catar, por exemplo, chegou a ficar sob sanções internacionais do Ocidente devido a seus laços com o Irã. Agora, ameaça retaliar as ações que vem sofrendo. Além disso, o país vinha se tornando um importante espaço de negociação - um dos poucos — entre Israel, Estados Unidos e grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah, proxies iranianos.
Nesta quinta-feira (5), o Irã chegou a atacar um aeroporto no Azerbaijão, país aliado da Rússia, que, por sua vez, apoia... o próprio Irã. Também disparou contra o Chipre, no Mediterrâneo, normalmente uma espécie de porto seguro para quem foge do Oriente Médio em épocas de violência endêmica. O drone que caiu sobre a ilha do Mediterrâneo atraiu a Europa para o conflito.
Ataques a instalações de energia levam a interrupções no tráfego aéreo na região. Estruturas de petróleo e gás também têm sido alvejadas. É como um tiro no pé, de quem não tem nada a perder no momento. Para o Irã essa é uma guerra de sobrevivência.
O caos, possivelmente, também é resultado da estratégia de defesa que permite aos comandantes emitir ordens de forma independente para seus subordinados. Não há um comando central. Pode até funcionar contra um governo imprevisível como o de Donald Trump, mas não se pode esquecer que, um dia, quando a guerra acabar, será preciso recomeçar de algum lugar.




