
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A intenção de oficializar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, colocada pelos Estados Unidos, levanta discussões envolvendo aspectos legais e conceitos como soberania, securitização e pautas políticas. Porém, se aprovarem a definição, o país norte-americano não será o primeiro a fazê-lo. O Paraguai e a Argentina, vizinhos do Brasil, já consideram as duas organizações como grupos terroristas.
As decisões dos dois países ocorreram no contexto da megaoperação do Rio em outubro de 2025, quando morreram mais de 120 pessoas. Tanto Paraguai quanto Argentina servem como rota de escoamento de drogas ou refúgio para foragidos.
No Paraguai, a decisão se deu por decreto presidencial e classifica o CV e o PCC como organizações terroristas internacionais, considerando que ambos os grupos "transcendem a criminalidade comum".
Já na Argentina, a decisão foi anunciada pela ministra da Segurança. No país, os dois grupos são considerados narcoterroristas devido à estrutura de poder armado que apresentam.
Um mapeamento realizado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 2025, por exemplo, revelou que o PCC está presente em pelo menos 28 países, incluindo Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai. A facção é conhecida como uma das principais exportadoras de cocaína da América Latina.



