
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu líderes latino-americanos (de seu alinhamento político) em sua casa de campo na Flórida, no último sábado (7), para anunciar a formação de uma coalizão multilateral contra os cartéis de drogas no continente.
Entre os presentes estavam os presidentes Luis Abinader (República Dominicana), Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), Mohamed Irfaan Ali (Guiana) e Rodrigo Chaves Robles (Costa Rica), além de Rodrigo Paz (Bolívia) e José Antonio Kast (Chile). Kristi Noem, ex-secretária de Segurança Interna, foi anunciada como a enviada especial para o projeto "Escudo das Américas".
O que é o Escudo das Américas?
A iniciativa busca reunir aliados latino-americanos e caribenhos em ações de combate ao crime organizado e à imigração ilegal. O foco central do grupo é o uso de força militar para desmantelar cartéis de drogas e redes de tráfico na América Latina. Ou seja, o "Escudo" funciona como a espécie de um fórum entre aliados.
Além da segurança, o plano se alinha à National Security Strategy (Estratégia de Segurança Nacional), lançada no fim de 2025 e que reafirma a influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Com isso, a iniciativa visa também frear a presença da China e da Rússia na região.
O acordo prevê a padronização de treinamentos, o compartilhamento de inteligência e o apoio logístico. O Paraguai, parceiro de longa data dos EUA, já aprovou, inclusive, acordos que permitem a livre circulação de tropas e equipamentos americanos em seu território.
Os participantes devem assinar um documento chamado de "Carta de Doral".
Brasil, México e Colômbia de fora
Os presidentes Lula, Claudia Sheinbaum, do México, e Gustavo Petro, da Colômbia, não participaram do encontro. No momento, o Brasil enfrenta tensões com Washington, que manifestou a intenção de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Entretanto, Trump declarou acreditar que Lula havia sido convidado, mas que o brasileiro optou por não comparecer ao encontro de lideranças conservadoras.
Já o México, que compartilha 3 mil quilômetros de fronteira com os EUA, possui um histórico complexo de atuação de cartéis com desdobramentos em território americano. Trump citou o país vizinho como o "epicentro da violência dos cartéis".
A Colômbia, por sua vez, segue como um dos maiores produtores de drogas do mundo. Desde o ano passado, Petro e Trump têm trocado farpas, principalmente após o aumento da presença militar americana em águas do Caribe e em território venezuelano.





