
Fundador da rede de lojas de moda masculina Via Condotti, o empresário Carlos Klein assumiu, no último dia 10, a presidência da CDL Porto Alegre para o biênio 2026-2027, substituindo Irio Piva, que ocupava o cargo desde 2020.
Klein conversou com a coluna sobre os desafios à frente da entidade.
Como o lojista deve se adaptar à IA?
O primeiro passo é a conscientização, entender que essa transformação tecnológica chega aos negócios e impacta, de forma definitiva, a relação das marcas com os consumidores. O consumidor absorve muito mais rápido a tecnologia, porque ela vem para facilitar o dia a dia deles, e as marcas precisam estar atentas: tomar consciência disso e desmistificar a utilização dessas ferramentas digitais. Esse é o papel da entidade: levar, cada vez mais, informação assertiva, de forma simples, objetiva, e trazer, em um segundo momento, essa capacitação, por meio de palestras, eventos, consultoria e até mentoria. Micro e pequenos lojistas estão, muitas vezes, investindo os recursos de uma vida inteira em um sonho e, por uma falha, às vezes, de absorção de conhecimento, podem colocar tudo em risco. Vejo que o micro e pequeno lojista olham para as transformações digitais e sempre colocam o tema como se não fosse para ele ou que não seria o momento, de que seria muito difícil ou caro. Na NRF (maior feira de varejo do mundo), vimos muita aplicação, principalmente da IA em situações básica, coisas que o lojista, com uma internet, um celular e um aplicativo, consegue fazer e que antigamente só eram feitas por grandes agências e empresas. Basta que tome conhecimento e esteja aberto a inovações.
Qual os desafios de 2026 em meio a juro alto, crédito difícil e famílias endividadas?
A taxa de juro, que está alta para controlar a inflação, impacta diretamente na decisão de compra, porque afeta o crédito. O custo do crédito mais alto consome boa parte da renda do trabalhador. Esse é o grande desafio para este ano. Mas temos a expectativa de que com a inflação controlada se consiga um cenário de redução da taxa Selic. Sabemos também que toda essa movimentação e esse conflito internacional acabam impactando principalmente o custo de petróleo, que vai afetar o preço dos combustíveis. É o combustível que movimenta todas as nossas mercadorias, e aí podemos ter um revés na inflação. Mas esperamos que tudo isso se resolva o mais rápido possível.
Como o lojista está enfrentando o cenário pós-enchente?
Preocupa demais. Sabemos que é uma realidade. A cada mês temos uma situação em algum local que traz esse temor. O que vivemos foi muito traumático. E sabemos que, se não tiver investimento robusto no controle de cheias, negócios que demandam investimento maior serão postergados nessas regiões que foram alagadas. Aqueles negócios que foram retomados logo após as enchentes já se estruturaram e estão apostando novamente em uma normalidade, mas grandes negócios que poderiam vir para esses locais, como o Quarto Distrito e o próprio Centro Histórico, vão sendo postergados até que haja uma sinalização de um controle mais robusto por parte dos órgãos públicos. Temos percebido que tem demanda, tem interesse de investimentos, inclusive do setor varejista, mas eles estão em compasso de espera por melhores condições ou mais garantias.
Como vocês encaram o desafio do Centro Histórico?
O Centro Histórico foi mais impactado pelo home office. Temos muitos escritórios, negócios que, quando conseguiram se viabilizar utilizando o home office, retiraram aquele contingente de profissionais que trabalhava todos os dias no Centro, que circulava, almoçava e aproveitava para fazer suas compras. Percebemos esse movimento de queda no fluxo de profissionais. No ano passado, a CDL fez uma pesquisa muito robusta para orientar a prefeitura e as entidades a buscarem uma solução que favoreça o Centro Histórico e encontre sua vocação. No contexto de mudança de comportamento do consumidor, de novas tecnologias, de resiliência climática, vamos ter de encontrar uma vocação. O Centro Histórico precisa reencontrar sua vocação para atrair consumidores, moradores e empresas.

