
Não haveria, sob nenhuma perspectiva, condições para o Irã participar da Copa nos Estados Unidos. Primeiro porque não há como confiar em Donald Trump, quando ele diz que a delegação será bem-vinda. O presidente americano, com frequência, mente. É mestre na dissimulação.
Não haveria garantia alguma de que os membros da delegação não seriam presos. A alegação, no mundo particular de Trump, poderia ser qualquer uma, a mais simples baseada na determinação que proíbe cidadãos iranianos de ingressarem no país.
Essa mesma determinação inclui uma espécie de licença, que pode ser dada em casos de competições esportivas. Mas como o governo americano, com frequência, se reserva o direito de prender cidadãos estrangeiros sob a alegação de "segurança nacional", não haveria garantias para os iranianos — atletas, comissão técnica e principalmente membros de alto escalão da delegação, invariavelmente com laços com o regime dos aiatolás.
O segundo ponto é que Estados Unidos e Irã estão em guerra. E, em uma situação como essa, qualquer cidadão de um lado e outro pode ser considerado inimigo, sob alegações como espionagem ou vínculos com o governo. Não há segurança jurídica, ainda que sob as leis internacionais os civis devam ser protegidos. Mas, se fosse o contrário, algum americano participaria de uma competição esportiva no Irã?
Acerta o ministro iraniano ao afirmar que sob nenhuma circunstância o Irã poderá participar da Copa do Mundo. Perde o futebol, que, não raras vezes, consegue se sobrepor às rusgas geopolíticas. Dessa vez, não deu.



