
No mês da Mulher, o NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou que mais de 90% dos canais que propagavam conteúdo misógino no YouTube em abril de 2024 continuam operando, dois anos depois da realização da pesquisa.
Em abril de 2024, o estudo identificou 137 canais com discurso de ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres. Em 2026, 123 seguem disponíveis na plataforma. Juntos, os canais somavam, em 2024, 19.505.210 inscritos. Hoje, acumulam mais de 23 milhões - um crescimento de aproximadamente 18,55%, com 3.618.086 novos inscritos.
Apenas 14 canais identificados pela pesquisa foram removidos. No momento do estudo, em 2024, eles somavam 1,37 milhão de inscritos.
Atualmente, os canais somam 130 mil vídeos publicados – 25 mil vídeos a mais que o número de 2024, quando somavam 105 mil publicações. Vinte desses canais mudaram de nome desde então
Os dados foram publicados no relatório "Aprenda A Evitar ‘Esse Tipo’ de Mulher": Estratégias Discursivas e Monetização Da Misoginia no YouTube.
A atualização dos dados foi realizada de modo automatizado, considerando exclusivamente os 137 canais previamente analisados em 2024. A pesquisa foi desenvolvida a partir da combinação de técnicas de análise computacional com análise qualitativa, com a aplicação de um protocolo de investigação elaborado com base em convenções internacionais e na literatura especializada sobre misoginia e violência de gênero no ambiente digital.
O estudo mapeou estratégias de monetização desses conteúdos, analisando como canais misóginos geram lucro por meio de anúncios, membros de canais e outros recursos.
A coluna tenta contato com a Google, proprietária do YouTube, para esclarecimentos.
O estudo completo pode ser lido aqui.



