
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Itália anunciou nesta quinta-feira (5) planos para enviar ajuda militar a países do Golfo, em resposta aos ataques aéreos retaliatórios do Irã no contexto do conflito envolvendo Teerã, Estados Unidos e Israel.
Segundo a primeira-ministra Giorgia Meloni, a assistência focará principalmente em defesa aérea. Os italianos, contudo, não são os únicos europeus mobilizados pelo agravamento do conflito na região.
O Reino Unido também confirmou nesta quinta-feira (5) o envio de quatro caças Typhoon para reforçar a ajuda no Catar. O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou ainda o fortalecimento do sistema de defesa aérea no Chipre, região que tem sofrido retaliações iranianas. A movimentação segue o anúncio feito na terça-feira (3), quando o governo britânico confirmou o envio de um navio de guerra, helicópteros com capacidade antidrone e o HMS Dragon, um destróier de última geração da marinha real. Londres autorizou os EUA a utilizarem suas bases apenas para fins defensivos, e já atuou na interceptação de drones iranianos que visavam o norte do Iraque e o Catar.
Na França, segundo a emissora BFMTV, o governo autorizou as forças armadas dos EUA a utilizarem bases francesas para fins não bélicos. Paris, que já abateu drones iranianos direcionados a aliados no Golfo Pérsico, mobilizou o porta-aviões Charles de Gaulle, uma fragata e sistemas antimísseis. Apesar do apoio operacional, o presidente Emmanuel Macron criticou a condução do conflito, afirmando que certas operações ocorreram “fora do marco do direito internacional”.
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz reuniu-se com o presidente Donald Trump na Casa Branca na última terça-feira (3). Merz ponderou que "ainda existem muitas dúvidas" sobre a natureza da operação liderada por EUA e Israel, mas manteve o apoio firme aos objetivos estratégicos dos aliados.
A Turquia informou na quarta-feira (4) que sistemas da Otan destruíram um míssil balístico iraniano que se dirigia ao seu espaço aéreo. O Ministério da Defesa turco declarou que não houve vítimas e reiterou que o país se reserva o direito de responder a quaisquer ações hostis. Já a Grécia abateu, na segunda-feira (2), dois drones iranianos que atacavam a base britânica em Chipre, decidindo enviar duas fragatas e esquadrões de caças para a região.
A Espanha tem demonstrado a postura mais cautelosa do bloco. O primeiro-ministro Pedro Sánchez criticou abertamente Trump e questionou a legalidade do conflito, recusando envolvimento direto na guerra, mesmo sob ameaças de rompimento de relações comerciais por parte de Washington. Apesar da reticência política, o governo espanhol enviou a fragata Cristóbal Colón, equipada com avançados sistemas de defesa antiaérea, para monitoramento na zona de conflito.




