
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano, intensificou-se o debate sobre a real capacidade militar de que o Irã dispõe para sustentar contra-ataques. Embora a pergunta seja direta, a resposta é complexa, uma vez que as informações bélicas sobre aspectos militares de Teerã não sejam tão transparentes quanto as de outras potências.
Estimativas apontam que o Irã, antes do início do conflito, contaria com 4,5 mil mísseis. Seu efetivo seria de mais de 1 milhão de homens. Essa capacidade de contra-ataque seria capaz de ser mantida até 28 de maio, segundo especialistas.
Números de pessoas
Atualmente, o Irã ocupa a 16ª posição no ranking global de poder militar, segundo o portal Global Firepower (GFP).
Dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Londres detalham a composição das forças: 350 mil militares nas forças terrestres, 190 mil na Guarda Revolucionária (IRGC) destes, cerca de 15 mil especialistas dedicados exclusivamente ao setor de mísseis, e um vasto contingente de voluntários e paramilitares (Basij), que pode chegar a 600 mil homens em períodos de mobilização.
E o arsenal de mísseis?
O inventário operacional de mísseis balísticos é o "coração" da defesa iraniana. O presidente do Instituto Sul-americano de Política e Estratégia (Isape), Fabrício Ávila, explica que, desde 1980, a partir da Revolução Iraniana um ano antes, o país tem se isolado e travado disputas com várias outras nações da região, que fizeram com que os aiatolás se preparassem para conflitos, aumentando gradativamente seu arsenal por meio de instalações no Líbano, no Iraque (onde conta com 180 mil paramilitares de maioria xiita da Força de Mobilização Popular) e, principalmente, no Iêmen, o que poderia ser utilizado, agora, em um contra-ataque conjunto para fechar o Estreito de Bab El-Mandeb (que liga o Oceano Índico e o Mar Vermelho) e pressionar o Canal de Suez.
— Enquanto Estados Unidos e Israel estão atacando o território iraniano, pode ocorrer ataques (de forças ligadas ao Irã) partindo do Iêmen, por exemplo. E do Líbano e do Iraque também. Se multiplicarmos por quatro países (Iraque, Irã, Líbano e Iêmen), eles poderiam ter até 18 mil mísseis de vários modelos estocados na estimativa — afirmou.
Ainda há a "Cidade de Mísseis", um complexo militar subterrâneo e de alta tecnologia, projetado para armazenar, manter e disparar mísseis balísticos de longo alcance. Essas redes de túneis são escavadas sob montanhas de granito e reforçadas com concreto, tornando-as quase invulneráveis a ataques aéreos convencionais.
E qual seria a duração dessa resistência?
Tomando como base o auge do conflito de 2025, a guerra dos 12 dias com Israel, quando o Irã lançava em média cerca de 200 mísseis por dia, os iranianos e aliados teriam fôlego para manter ataques sustentados por cerca de 90 dias, na avaliação de Ávila.
— Em princípio, desde sábado (28, no início do conflito atual), então (o estoque) acabaria em 28 de maio. Porém, são estimativas — avalia o especialista.




