
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A guerra no Oriente Médio envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã chegou, neste sábado (14), à marca de duas semanas. Os impactos do conflito já são sentidos em vários lugares e setores, principalmente devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo mundial. Porém, até quando a guerra seguirá?
Desde o início do conflito, o presidente americano, Donald Trump, tem dito que as ações militares devem durar até que todos os objetivos dos Estados Unidos sejam alcançados. O republicano afirmou que a guerra deveria durar cerca de quatro ou cinco semanas. Dias depois, na segunda-feira (9), o presidente afirmou que a guerra vai acabar muito em breve, mas não disse quando, gerando dúvidas sobre a duração.
A Casa Branca segue a mesma linha de incertezas. Na terça-feira (10), a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que é Trump quem vai determinar quando o Irã deixará de representar uma ameaça aos EUA. Pete Hegseth, secretário de Guerra, disse que é o presidente quem decide se a guerra está no início, no meio ou no fim, e que ele mesmo controla o acelerador. Já na quarta-feira (11), Trump afirmou que “venceu” a guerra contra o Irã, mas que o país permanecerá na luta para concluir o trabalho.
Em meio à escalada do conflito, surgiram relatos de que o Irã teria demonstrado sinais de desejo de conversar com os EUA. Trump mencionou que teria ouvido que “eles querem muito conversar”. Porém, no sábado (14), Trump afirmou à NBC News que não está pronto para fechar um acordo para encerrar a guerra com o Irã, apesar da disposição do país em fazê-lo, “porque os termos ainda não são bons o suficiente”, mas se recusou a dizer quais seriam esses termos.
Entretanto, a narrativa é diferente do lado iraniano. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (15) que Teerã “nunca pediu um cessar-fogo, nunca sequer pediu negociação”. A fala ocorre após comentários anteriores de Trump:
— Não vemos nenhum motivo para conversarmos com os americanos, porque estávamos conversando com eles quando decidiram nos atacar — disse Araghchi à CBS News.
Na quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o fim da guerra dependeria do cumprimento de três condições impostas por Teerã: o reconhecimento dos “direitos legítimos” do país; o pagamento de reparações pelas destruições provocadas por ataques dos EUA e de Israel; e a criação de garantias internacionais que impeçam novas agressões.
Do lado israelense também persistem dúvidas. Neste domingo (15), o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Effie Defrin, afirmou à rede americana CNN que o exército israelense planeja estender sua campanha contra o Irã por pelo menos mais três semanas.
Em meio a narrativas conflitantes das autoridades envolvidas na guerra, não há como saber até quando o conflito se estenderá. Enquanto isso, estimativas apontam que cerca de 3 mil pessoas, militares, profissionais de saúde, civis e crianças, já morreram ao longo dessas duas semanas.


