
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um extenso relatório divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos na quinta-feira (26) aponta que diversos países da América Latina abrigam infraestruturas espaciais da China que poderiam ser utilizadas para avançar capacidades militares e a coleta de informações. Entre as nações citadas estão a Argentina, a Venezuela, a Bolívia, o Chile e o Brasil.
A investigação se chama "Atraindo a América Latina para a Órbita da China" e revela que a China desenvolveu uma ampla rede de estações terrestres e telescópios na região. O relatório sustenta que Pequim utiliza essa estrutura para coletar dados de inteligência e aumentar a capacidade bélica do Exército Popular de Libertação (PLA).
Estação Terrestre Tucano
No Brasil, a base que o documento apresenta é a Estação Terrestre Tucano, uma joint venture entre a startup brasileira Alya Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, estabelecida em 2020.
Embora a área geral seja desconhecida e a localização exata da estação permanece incerta, pela imagem que o documento apresenta trata-se de uma base na região da Bahia.
A parceria entre as empresas envolve um acordo para o armazenamento e a troca de dados operacionais por meio de redes de antenas interconectadas. Segundo o relatório, esse arranjo permite ampliar a cobertura para órbitas polares e equatoriais, oferecendo suporte a satélites.
O relatório destaca que as implicações militares são reforçadas pelos vínculos formais do projeto com as Forças Armadas. A Alya também firmou um acordo com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Força Aérea Brasileira.
"Essa integração fornece à República Popular da China (RPC) um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, ao mesmo tempo em que estabelece uma presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA", diz um trecho do documento.
Cooperação em Radioastronomia
O documento cita ainda o Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil, criado em 2025 após um acordo entre o Instituto de Pesquisa de Comunicação de Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e as universidades federais de Campina Grande (UFCG) e da Paraíba (UFPB).
Embora o foco oficial seja a pesquisa avançada, o laboratório inclui o planejamento de grandes iniciativas científicas e a transposição de inovações para aplicações tecnológicas mais amplas. O relatório alerta que, dada a integração do CESTNCRI à base industrial de defesa chinesa, essas tecnologias de ponta poderiam ser desviadas para fins de vigilância e monitoramento estratégico.





