
Uma das informações mais interessantes trazidas pela jornalista venezuelana Daniela Rojas Díaz, em entrevista nesta quarta-feira (18), ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, é de que fala-se, nos bastidores da política em Caracas, sobre a possibilidade da realização de eleições no país no final do ano ou início de 2027.
Ora, é fundamental que haja uma transição de poder na Venezuela, mas ela não ocorrerá, de forma democrática, sem estar acompanhada de uma profunda mudança nas instituições.
Nicolás Maduro foi apeado do poder pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro, mas toda a estrutura da ditadura segue no comando do governo - inclusive no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável por organizar a eleição.
A história é pródiga em exemplos de regimes autoritários que foram sustentados por eleições sucessivas, ainda que fraudulentas, mas que, aos olhos internos e externos, buscavam dar um verniz democrático ao arbítrio. O próprio regime chavista-madurista fez isso por anos. O Iraque de Saddam Hussein, a Síria de Bashar al-Assad também. Até hoje, no Irã dos aiatolás, é assim.
Só a realização de eleições não garante democracia. Aliás, não há democracia sem eleições, mas há eleições sem democracia.
O processo de escolha dos representantes da população é apenas um entre outros pilares fundamentais do Estado de Direito, como a liberdade de imprensa e de expressão, a garantia de direitos políticos, plena participação da oposição e independência entre Poderes.
Todos esses princípios não estão ainda presentes na Venezuela pós-Maduro. E provavelmente não estarão em menos de um ano - não sem mudanças estruturais no governo.




