
Nascida em Dois Irmãos, a Minha Biblioteca Católica (MBC) ampliou, recentemente, seu projeto editorial para o mercado dos Estados Unidos.
Em entrevista à coluna, a relações públicas da empresa, Vitória Ferreira, conta como publicações sobre a doutrina da Igreja e a história dos santos têm conquistado o público, em especial os jovens, em busca de maior conexão espiritual.
A seguir, os principais trechos da conversa.
Como surgiu a ideia de um clube de assinaturas focado em livros católicos?
A MBC, como a gente carinhosamente chama, foi fundada em 2017 por um grupo de amigos que tinha como desejo resgatar as grandes obras da literatura católica, que, muitas vezes, foram esquecidas. Unindo-se a isso, obras que contassem os ensinamentos que formaram diversos santos. Eles não queriam que fossem publicadas de qualquer jeito. Então, o grande objetivo de fundar essa marca era refletir, também de forma visual, a ordem, a clareza, a beleza e a grandiosidade da Igreja. Cada livro editado, ele apresenta um rico conteúdo: as capas são feitas à mão, com atenção, para que se tenha essa delicadeza, para que represente a beleza que sempre esteve presente na história da Igreja. Também a beleza presente na liturgia, na arte de sacra, na arquitetura, na música.
De quem foi a ideia?
É uma proposta que buscou revolucionar o mercado editorial católico no Brasil. Um dos fundadores é o Matheus Bazzo: designer, ele é a cabeça que criou todos os projetos que nasceram após a MBC. Veio o Peregrino (audiobook), o Capela (aplicativo), agora veio o MCL (My Catholic Library, site em inglês). Desde então estamos aí lançando um box por mês. É um clube de assinatura: as pessoas fazem parte do clube e recebem em casa um tesouro da Igreja Católica. Além do livro, temos o marca páginas temático e um guia de leitura, que ajuda a se aprofundar no livro. A gente traz artigos riquíssimos, com informações valiosíssimas, e um ícone também temático, de acordo com o box de cada mês. A gente coloca bastante empenho em entregar para as pessoas uma experiência completa.
O sucesso do projeto vem ao encontro de uma busca das pessoas por maior espiritualidade? Vocês enxergam isso no mercado?
Sem dúvida nenhuma. A gente tem como objetivo fazer com que, quando as pessoas recebem o nosso box, sintam como se elas estivessem entrando em uma catedral. Essa experiência de abrir nosso box, de ver o livro, de ver o ícone, de se emocionar, de ver ali uma obra-prima. As pessoas estão em busca tanto de um sentido na vida quanto por uma força superior. Recebemos muitos relatos de pessoas que estavam num processo de conversão e que precisavam de um Norte, de uma ferramenta que as ajudasse a se aprofundar na fé, a ter um contato maior com Deus e de conhecer, de uma maneira mais intelectual, a Igreja e sua história. Buscamos, por meio de nossos produtos, ajudar as pessoas em todos os âmbitos.
Vocês chegaram a produzir um livro sobre o Carlo Acutis, o santo millenial, inclusive com versão em HQ. Como foi?
Lançamos, em abril, o livro sobre sobre a vida do Carlo. Foi o nosso box do mês de maio: conta a história do Carlo e traz histórias pessoais sobre ele, que não são de conhecimento público. Gravamos também o nosso primeiro documentário, sobre a vida do Carlo. Estivemos em várias cidades italianas, Milão, Assis, fomos na casa do Carlo, entramos no quarto dele, vimos os objetos que faziam parte da vida dele, conversamos com pessoas que foram próximas a ele. Nós nos organizamos para ir na canonização dele, em setembro, e lançamos uma HQ, falando sobre a vida do Carlo, os milagres eucarísticos. Nosso encontro com a mãe do Carlo, na verdade, foi uma providência divina. Não foi algo que a gente organizou. Foi muito especial porque a nossa equipe estava hospedada no mesmo hotel da família do Carlo. Por uma grande obra de Deus, a gente pôde encontrá-la na recepção do hotel. Conversamos com ela, entregamos os livros e gravamos um vídeo que acabou se tornando um viral, com ela vendo o livro e até brincando que Carlo seria um super-herói.
E a expansão para os Estados Unidos tem a ver com o fato de o papa ser americano?
É algo que a gente já vem sonhando e buscando realizar há bastante tempo. Vínhamos realizando estudos de mercado. O próprio fundador mora hoje nos Estados Unidos. Então, ele que iniciou essa caminhada de levar a MBC para lá. Foi bem antes da morte do papa Francisco. No final do ano passado, saiu uma reportagem bem interessante, que fala do perfil religioso da juventude nos Estados Unidos: é a primeira vez em décadas que o número de católicos já supera o de protestantes entre os jovens da Geração Z. Isso vai muito ao encontro da nossa visão: sempre vimos a missão da MBC como de colocar Deus no centro da vida, por meio de nossos conteúdos, dos nossos livros, que são fiéis à doutrina, são esteticamente belos e espiritualmente profundos. A gente vem tendo uma excelente recepção do público americano. O livro "Story of a Soul", a história de Santa Terezinha, esgotou em horas. Isso só consolidou o nosso trabalho.
Quais serão os novos mercados?
Um dos mandamentos da empresa é: "Tudo para a maior glória de Deus, para onde Deus nos levar, a gente vai". O nosso objetivo principal agora é consolidar a My Catholic Library nos Estados Unidos. A gente quer realmente ampliar a nossa atuação internacional. Não adianta a gente querer dar um passo maior que a perna. Então, a gente está querendo realmente focar nesse novo mercado, conversar com o público de lá.
Essa ideia de usar os influenciadores lá é algo que vocês fazem aqui também, né?
Fazemos bastante. Temos parceiros incríveis: já trabalhamos com Juliano Casaré, Miriam Rios, Padre Paulo Ricardo, Frei Gilson. A gente já teve diversas parcerias. E é isso que a gente deseja também fazer nos Estados Unidos.
Em meio a um mundo cada vez mais digital, por que vocês apostam em edições impressas?
Vejo como se as pessoas estivessem querendo voltar à tradição. Isso tem acontecido muito também entre os jovens: o desejo de ter um sentido de segurança. Isso tem crescido cada vez mais: de se voltar para a tradição, de valorizar a fidelidade doutrinal, de buscar mais conhecimento intelectual, a origem das coisas, de realmente querer conhecer a Igreja. Isso tem sido muito bonito.



