
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Além de consagrar Caetano Veloso e Maria Bethânia entre os grandes vencedores do ano, a cerimônia do Grammy 2026 — o maior prêmio da indústria musical — foi marcada por protestos contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e críticas diretas ao presidente Donald Trump.
O apresentador da noite, o comediante Trevor Noah, não poupou o republicano no discurso de abertura:
— Este é um Grammy que todo artista deseja quase tanto quanto Trump deseja a Groenlândia. O que faz sentido, já que a ilha de Epstein não existe mais e ele precisa de um novo lugar para passar o tempo com Bill Clinton — ironizou Noah.
Trump reagiu em sua rede social, a Truth Social, ameaçando processar o comediante:
"O Grammy Awards é péssimo, ninguém assiste! O apresentador, Trevor Noah, quem quer que seja, é tão ruim quanto Jimmy Kimmel. Noah mentiu a meu respeito ao dizer que Donald Trump e Bill Clinton foram à ilha de Epstein. ERRADO!!! Não posso falar por Bill, mas eu nunca estive na ilha de Epstein, não cheguei nem perto disso. Até esta noite, eu nunca fui acusado de ter estado lá. Parece que vou mandar meus advogados processarem esse idiota patético e sem talento por muito dinheiro. Prepare-se, Noah! Vou me divertir muito com você. Presidente DJT."
O ponto alto da noite, contudo, foi o discurso do cantor porto-riquenho Bad Bunny. Ao vencer na categoria Melhor Álbum de Música Urbana pelo disco Debí Tirar Más Fotos, o porto-riquenho iniciou sua fala com um enfático “Fora, ICE”:
— Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos seres humanos e somos americanos. O ódio alimenta o ódio, e só o amor é capaz de vencê-lo. Por favor, precisamos ser diferentes — declarou o cantor.
A rivalidade entre os dois é pública. Trump já havia criticado Bad Bunny quando o artista foi anunciado como atração do Super Bowl LX, que ocorrerá em 8 de fevereiro, na Califórnia.
Outra voz de peso a se levantar contra a atual gestão americana foi Billie Eilish. Ao levar o prêmio de Canção do Ano por “Wildflower”, a cantora disparou:
— Ninguém é ilegal em terras roubadas. É difícil saber o que dizer ou fazer agora, mas sinto que, neste espaço, precisamos continuar lutando e protestando. Nossas vozes importam, as pessoas importam. E f***-se o ICE, é tudo o que tenho a dizer. Desculpem — disse a cantora.

