
Muita gente em Brasília e outras capitais não irá dormir neste Carnaval, depois que a Polícia Federal (PF) quebrou o sigilo de cinco celulares de Daniel Vorcaro, o dono do banco Master. Políticos temem a divulgação de vídeos de câmeras escondidas em festas luxuosas promovidas pelo banqueiro em mansões, onde autoridades eram recebidas com bebidas importadas, comidas e "convidadas".
Nos encontros em Trancoso e no Rio de Janeiro, convidados entregavam seus celulares na entrada, mas Vorcaro mantinha câmeras de segurança. A PF analisa essas imagens para identificar quem frequentava as propriedades de luxo e se as festas serviam de cenário para negociatas.
Há diferenças fundamentais entre os casos Master e Jeffrey Epstein, nos Estados Unidos. Lá, houve processos, prisão e material robusto probatório. Aqui, trata-se de uma investigação em curso. Lá, a natureza do crime dizia respeito a tráfico sexual de menores. Aqui, a investigação é sobre fraudes financeiras.
Mas há semelhanças: festas privadas envolvendo elites econômicas e políticas, suspeita de registro de imagens e potenciais constrangimentos, que, se vazadas, terão potencial explosivo. Além dos vídeos, a perícia recuperou áudios e mensagens deletadas que citam nomes do Supremo e do Congresso. Os investigadores buscam confirmar se imóveis de luxo, como uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília, foram usados para comprar influência e facilitar a venda do Master para o BRB.
A retirada de Dias Toffoli da relatoria e o recuo do STF são apenas um capítulo dessa novela brasileira. Novas cenas, no país do Carnaval, devem vir até a Quarta-feira de Cinzas.





