
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na sexta-feira (30), cerca de três milhões de páginas de novos arquivos das investigações envolvendo o caso de Jeffrey Epstein, bilionário condenado por chefiar uma rede de exploração sexual de menores.
Entre os documentos, constam cerca de 180 mil imagens e dois mil vídeos que mencionam personalidades artísticas e políticas, como o presidente americano Donald Trump, o empresário Elon Musk, o cofundador da Microsoft Bill Gates e o ex-príncipe Andrew.
Todos os arquivos estão disponíveis no site do Departamento de Justiça.
Envolvimento com empresários
Os documentos sugerem que Bill Gates mantinha relações sexuais extraconjugais. Em anotações, Epstein afirma ter ajudado o empresário a conseguir medicamentos “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas”. Epstein também alega ter facilitado encontros de Gates com mulheres casadas.

Elon Musk, dono da Tesla, da SpaceX e da rede social X, também aparece nos documentos. Dois e-mails enviados por Musk a Epstein — um em 2012 e outro em 2013 — tratam da possibilidade de uma viagem à luxuosa ilha caribenha de Epstein, local conhecido por sediar grandes festas e onde possivelmente ocorreram os abusos pelos quais Epstein é acusado, envolvendo menores.
“Em que dia/noite acontecem as festas mais selvagens na sua ilha?”, pergunta Musk em um dos e-mails.
Em outra troca de mensagens, Epstein questiona quantas pessoas Musk gostaria de levar de helicóptero até o local. Musk reponde que seria somente ele e atriz Talulah Riley, na época sua companheira. “Qual será o dia/noite da festa mais animada da nossa ilha?”, acrescenta Musk.

Os e-mails, no entanto, não demonstram se Musk chegou a realizar as visitas.
Denúncias contra Trump
Há também um documento que contém uma lista do FBI com cerca de uma dúzia de denúncias de suposto envolvimento de Donald Trump com Epstein, incluindo acusações de abuso sexual contra ambos.

Em uma delas, feita por um contato anônimo ao FBI, uma mulher relatou que uma amiga, então com “13 ou 14 anos”, teria sido forçada a praticar sexo oral em Trump. Ainda segundo o documento, empresário teria agredido a jovem. As denúncias, entretanto, não apresentam evidências que as comprovem.
Há ainda um registro de 2016 em que Epstein menciona a acusação de uma das meninas aliciadas por ele contra Trump. A jovem teria afirmado que manteve relações sexuais com Trump quando ainda era menor de idade, na casa do bilionário.
É notória a amizade entre Trump e Epstein nos anos 1990 e no início dos anos 2000, período marcado por festas da alta elite americana e por registros de viagens do então empresário e de familiares nos aviões de Epstein. Trump nega qualquer conhecimento sobre os crimes sexuais cometidos por Epstein. Não há provas de que o republicano tenha cometido crimes.
Envolvimento brasileiro
Uma troca de e-mails de 2009 indica que Epstein enviou 10 mil euros — cerca de R$ 71 mil na cotação atual — ao brasileiro Reinaldo Avila da Silva, atualmente marido do lorde britânico Peter Mandelson.
Em outro e-mail enviado a Epstein, Silva detalha os custos de um curso médico e agradece por “qualquer ajuda que você possa me dar”. Segundo reportagem do jornal britânico Financial Times, o objetivo era auxiliar o brasileiro a seguir o sonho de se tornar osteopata.
Em maio de 2010, Epstein escreveu a Silva dizendo que se sentia “privilegiado” por poder ajudá-lo. O brasileiro respondeu agradecendo e o chamou de “meu amigo”.
Em 2024, Mandelson foi nomeado embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, mas foi demitido menos de um ano depois, após revelações relacionadas ao caso Epstein.
Convite para Buckingham
Ainda no ano passado, Andrew Mountbatten-Windsor foi destituído de todos os títulos reais da Coroa britânica após documentos revelarem seu envolvimento com os crimes de Epstein.

Nos novos arquivos divulgados na sexta-feira, o ex-príncipe aparece ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. Em outro documento, há um convite feito por Andrew a Epstein para um jantar no Palácio de Buckingham.
Andrew é irmão mais novo do rei Charles III. Ambos são filhos da falecida rainha Elizabeth II e do príncipe Philip.
O caso Epstein
Bilionário influente nos meios político, financeiro e artístico, Jeffrey Epstein foi um empresário do mercado financeiro americano conhecido por suas conexões com figuras poderosas. Ele acumulou fortuna no setor financeiro e mantinha relações com diversas personalidades de alto escalão.
Investigações apontam que Epstein abusou de dezenas de meninas menores de idade no início dos anos 2000. Ele era dono de uma ilha no Caribe, Little St. James, onde, segundo relatos, ocorriam abusos sexuais e festas com menores e pessoas influentes.
A "lista de Epstein" seria um suposto documento com nomes de pessoas envolvidas no escândalo sexual ligado ao criminoso.


