
Há muitas dúvidas sobre o plano de Donald Trump para a Venezuela - como, até hoje, existem buracos sobre o projeto para a reconstrução de Gaza, após o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
No caso do país sul-americano, do pouco que se sabe, explicitado nesta quarta-feira (7) pelo secretário de Estado Marco Rubio, há grandes riscos.
Por um lado, faz sentido não destroçar o establishment militar bolivariano, que é quem realmente manda no país, sob pena de uma "iraquização" da Venezuela. Mas, com seu projeto estabilização-recuperação econômica-transição, os Estados Unidos podem estar armando uma bomba-relógio que vai explodir lá na frente. Mais tardar, em seis meses.
Eu explico: se a Constituição venezuelana ordena eleições gerais em 90 dias (prorrogáveis por mais 90), em caso de governo interino, estamos falando da realização do pleito em seis meses. Ou a Casa Branca vai permitir que o governo de seu o mais novo protetorado, chamado Venezuela, permaneça no poder para além da Constituição?
Nada é impossível desde o 3 de janeiro, ainda mais que estamos falando de uma ditadura tutelada, como outrora tivemos no Brasil. Mas, por experiência própria, sabemos bem que 180 dias é pouco tempo para uma transição "lenta, gradual e irrestrita". E, como o chavismo-madurismo demonstrou nas últimas décadas eleições, por si só, não garantem democracia.
No caso venezuelano, é preciso reformar as instituições de Estado, a começar pelo Tribunal Supremo e pelo Conselho Nacional Eleitoral. Mas também garantir libertação de presos políticos, retorno de exilados, liberdade política e de expressão e segurança para a imprensa profissional. Sem isso, será bem provável que a Venezuela troque o ditador de esquerda por outro tirano, desde que palatável ao gosto de Washington.




