
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O jornal satírico francês Charlie Hebdo, conhecido por suas capas polêmicas — como em 7 de janeiro de 2015, quando terroristas islâmicos mataram a tiros 11 pessoas no escritório da revista em Paris após charges de Maomé —, publicou na edição desta semana uma charge criticando a violência do ICE (Immigration and Customs Enforcement, em inglês), a "polícia da imigração" dos Estados Unidos.
A publicação surge após agentes federais americanos matarem o enfermeiro Alex Pretti no último sábado (24). Esta foi a segunda morte envolvendo forças de imigração em menos de um mês em Minneapolis, no estado de Minnesota. A primeira ocorreu no dia 7, quando o ICE vitimou a manifestante Renee Nicole Good.
Na charge, um agente do ICE armado arrasta uma pessoa baleada; o rastro de sangue forma as listras vermelhas da bandeira americana, enquanto corpos empilhados substituem as estrelas que representam os Estados.
O desenho do policial na charge, ao que parece, retrata Gregory Bovino, comandante demitido das operações da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) em Minneapolis. A figura da vítima assemelha-se a Pretti que, embora portasse uma arma registrada legalmente, não tentou sacá-la ao ser abordado, conforme indicam vídeos do momento. As filmagens sugerem, ainda, que os agentes dispararam contra o enfermeiro quando ele já havia sido desarmado.



