
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O encontro trilateral entre representantes dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia nesta sexta-feira (23), em Abu Dhabi, para tratar da guerra no Leste Europeu, já é, por si só, um fato inédito — trata-se do primeiro diálogo envolvendo as três partes simultaneamente. O foco será debater o plano de 20 pontos proposto por Washington e Kiev, que está sob análise de Moscou. No entanto, há incertezas sobre a real efetividade dos resultados desse encontro.
Nenhum dos três líderes participará da reunião, o que limita o alcance das negociações. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, confirmou o envio de uma delegação, enquanto o lado russo será liderado por Igor Kostyukov, chefe da inteligência militar (GRU).
Pela ala americana, a composição exata ainda não foi detalhada. Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, e Jared Kushner, genro de Trump, estão em Abu Dhabi, mas não há confirmação se participarão diretamente da mesa trilateral.
O ponto central do debate — e que deve continuar sendo a "pedra no sapato" diplomática — é a questão territorial, especificamente o futuro da região de Donbas. Nenhum dos lados abre mão da concessão sobre o território, atualmente ocupado em grande parte por tropas russas. Zelensky afirmou que o destino das áreas ocupadas ainda não está definido, mas ressaltou que as propostas de paz estão "quase prontas".
Em contrapartida, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi enfático: “A posição da Rússia é bem conhecida: a Ucrânia e suas forças armadas devem deixar o território de Donbas. Elas precisam se retirar de lá... Essa é uma condição primordial”.
Outras pautas
Além do impasse territorial, a reunião deve abordar planos para a reconstrução da Ucrânia. Outro tema sensível são as garantias de segurança que os EUA podem oferecer a Kiev para dissuadir novas ofensivas russas após um eventual cessar-fogo. A Rússia, por sua vez, mantém as exigências de que a Ucrânia renuncie à ambição de ingressar na OTAN e veta qualquer presença de tropas da aliança em solo ucraniano após o acordo.


