
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Ao lado de Nicolás Maduro na presidência da Venezuela, destacam-se pelo menos cinco personagens centrais. São nomes que movem o tabuleiro político venezuelano desde a era de Hugo Chávez (falecido em 2013) e que detêm forte influência no chavismo, tendo sido fundamentais para manter Maduro no poder até então.
Cília Flores: a "Primeira-Combatente"
Capturada pelos Estados Unidos junto a Nicolás Maduro no último sábado (3), a primeira-dama Cília Flores é uma figura influente desde a ascensão de Chávez. Advogada especializada em Direito Penal e Trabalhista, aproximou-se do movimento em 1992, ao integrar a equipe de defesa dos militares que participaram do fracassado golpe de Estado liderado por Chávez.

Após a vitória eleitoral de Chávez em 1998, Cília ocupou cargos estratégicos: foi eleita deputada em 2000 e, em 2006, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional, sucedendo o próprio Maduro. Em 2012, foi nomeada Procuradora-Geral da República.
Durante a campanha de 2013, Maduro apelidou-a de "primeira-combatente", embora também utilizasse o apelido carinhoso "Cilita". Cília também é a primeira vice-presidente do PSUV, o partido do governo.
Diosdado Cabello: o "Número 2"
Considerado o braço direito do regime, o militar Diosdado Cabello estava ao lado de Maduro quando Chávez o apontou como sucessor em 2012. Atual Ministro do Interior, Justiça e Paz desde 2024, Cabello possui um currículo extenso: já foi vice-presidente da República e presidente da Assembleia Nacional.

Sua lealdade remonta a 1992, quando, como tenente, participou do levante de Chávez, o que lhe rendeu 22 meses de prisão antes de ser anistiado. Em 2002, durante o breve golpe contra Chávez, Cabello chegou a ocupar a presidência por algumas horas até o retorno do líder ao poder. Ele também preside a ala oficialista do PSUV e liderou a questionada Assembleia Nacional Constituinte de 2017.
Vladimir Padrino López: a força militar
À frente do Ministério da Defesa desde 2014, Padrino López é o pilar militar do regime. Sua lealdade foi provada em 2002, quando comandava uma unidade de blindados em Forte Tiuna e recusou-se a aderir ao golpe contra Chávez. Em 2012, foi promovido a chefe do Estado-Maior e, sob Maduro, tornou-se comandante-em-chefe. Analistas o consideram a figura de maior ascendência sobre as Forças Armadas da Venezuela.

Jorge Rodríguez: o articulador político
Atual presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez é o principal estrategista político do governo e irmão da vice-presidente Delcy Rodríguez. Psiquiatra de formação, ele transita pelo poder desde 2003, quando presidiu a Junta Nacional Eleitoral. Já ocupou a vice-presidência executiva, o Ministério das Comunicações e a prefeitura de Caracas por nove anos. É visto por muitos como um possível sucessor natural dentro da estrutura do PSUV.

Delcy Rodríguez: a presidente interina
Com a captura de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina, acumulando ainda o Ministério do Petróleo. Advogada formada pela Universidade Central da Venezuela com especialização na França, Delcy ocupou cargos de confiança em diversas pastas, como Economia e Relações Exteriores.

Neste domingo (4), as Forças Armadas venezuelanas reconheceram sua autoridade. Em comunicado televisionado, Padrino López endossou a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) para que ela assuma o poder por 90 dias. No entanto, o cenário internacional permanece tenso: o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à revista The Atlantic que Delcy poderá enfrentar consequências severas "se não fizer o que é certo".


