
Desde 2013, passei a dedicar mais atenção a Marco Rubio, hoje secretário de Estado do governo Donald Trump e, desde o fatídico 3 de janeiro, vice-rei da Venezuela. Lá atrás, o republicano lembrava, a despeito de estarem em campos ideológicos opostos, muito o Barack Obama que encantara o mundo na Convenção Democrata de 2004: jovem, exímio orador e também integrante de uma minoria, não os afro-americanos, como o ex-presidente, mas os latinos.
Em 2016, Rubio foi pré-candidato do Partido Republicano e disputou a indicação as primárias contra Trump. Foi ruidoso! Trocaram xingamentos até que o empresário foi eleito. Viu no jovem senador a linha-dura de que precisava contra China, Rússia e Venezuela, principalmente neste novo mandato, no qual a doutrina orienta a “América para os americanos” — leia-se, os cidadãos dos EUA.
À frente da diplomacia americana, Marco Rubio supervisiona hoje mais de 70 mil funcionários do Departamento de Estado e é a primeira pessoa de origem latino-americana com o cargo mais importante no governo dos EUA. Tem sido o grande ideólogo da política de cerco ao madurismo, e o funcionário que esteve mais perto da operação militar em Caracas no sábado passado.
No mesmo dia da captura de Nicolás Maduro, Rubio já estava em contato estreito com Delcy Rodríguez, com quem conversa “fluentemente” em espanhol, segundo Trump.
As missões de Rubio
Rubio manterá esse protagonismo. Como plenipotenciário, vai governar, à distância, os destinos da nação sul-americana, garantindo que os interesses dos EUA sejam observados. A saber: acesso ao petróleo, fim do narcotráfico e adeus à cooperação com regimes inimigos dos EUA, como China, Rússia e Irã.
Uma das missões de Rubio será garantir que Delcy acate as diretrizes de Washington, sob pena de a Venezuela sofrer uma segunda onda de ataques, e a presidente interina “ter um futuro pior do que o de Maduro”, conforme Trump.
Para Rubio, será não apenas a consagração em sua missão quase religiosa de acabar com as ditaduras de esquerda na América Latina, o final da jornada iniciada no Senado em que disparava contra Maduro palavras como “narcoterrorista”. Capturou a atenção de Trump quando o lembrou que Maduro era processado em um tribunal de Nova York. Nascia a narrativa perfeita. Em julho, os EUA incluíram o Cartel de los Soles na lista de grupos terroristas, e acusaram Maduro de ser o chefe do núcleo – nesta semana, o governo recuou da acusação. Em agosto, começou a pesar contra o venezuelano US$ 50 milhões a quem revelasse seu paradeiro. Em setembro, começou o cerco no Caribe.
Desde então, Rubio tem estado permanentemente na Casa Branca desenhando a Venezuela pós-Maduro. Seu sonho: ver também a Cuba de seus pais livre do comunismo. Esse pode, claramente, ser seu segundo passo. Senão agora, quem sabe quando se tornar o 48º presidente dos EUA.





