
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Após duas semanas de intensas manifestações em diversas cidades do Irã e com o número de mortos nos protestos chegando a 2 mil, o regime marcou para esta quarta-feira (14) a execução de Erfan Soltani, detido durante os atos. A informação foi divulgada pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw.
Segundo a organização, o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, foi detido na última quinta-feira (8) próximo da sua casa. Durante três dias, a família não teve informações sobre seu paradeiro; somente no domingo (11) as autoridades confirmaram sua custódia e comunicaram a sentença de morte definitiva.
Morador de Fardis, no subúrbio de Karaj (região metropolitana de Teerã), Soltani trabalhava na indústria de vestuário e havia ingressado recentemente em uma empresa privada. De acordo com o site de notícias independente IranWire, amigos o descrevem como um jovem apaixonado por moda, esportes e musculação — interesses visíveis em seu perfil no Instagram, uma das poucas contas que ainda não foram apagadas pelas autoridades.
A família relata não ter recebido detalhes sobre o julgamento ou as acusações formais. Organizações de direitos humanos afirmam que ele foi condenado por tribunais ligados à Guarda Revolucionária Islâmica sob a acusação de Moharebeh (“guerra contra Deus”), termo frequentemente usado para punir a dissidência política.
“A família está sob extrema pressão. Um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: 'Não há processo para analisar. Qualquer pessoa presa nos protestos será executada'”, relatou uma fonte anônima ao IranWire.
Segundo familiares, Erfan já vinha recebendo mensagens ameaçadoras antes da prisão, mas optou por manter-se firme nos protestos.
Participação dos EUA
A expectativa para esta terça-feira (13) era de uma reunião em Washington para tratar da crise. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou os encontros com autoridades iranianas e encorajou os manifestantes a manterem a mobilização, declarando que "a ajuda está a caminho". Uma reunião interna com a equipe sênior de segurança nacional da Casa Branca deve ocorrer ainda hoje.
Como medida de pressão econômica, Trump anunciou ontem a imposição de tarifas de 25% sobre transações de países que mantêm negócios com o Irã, visando isolar o regime em meio à repressão brutal.



