
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
As manifestações que se arrastam há mais de duas semanas no Irã pedem, entre outros pontos, a queda do líder supremo do regime, o aiatolá Ali Khamenei. Considerado a autoridade máxima política e religiosa do país, ele ocupa o cargo vitalício desde 1989, após a morte do fundador da República Islâmica, o aiatolá Khomeini.
Aos 86 anos, Khamenei acumula as funções de chefe de Estado e comandante-chefe, detendo a palavra final sobre as políticas públicas nacionais. Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do Irã, teve sua formação religiosa e política fundamentada na década de 1960, quando se envolveu em movimentos que contestavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlavi — pai de Reza Pahlavi, o príncipe herdeiro atualmente exilado nos Estados Unidos.
Durante sua formação intelectual, foi fortemente influenciado pelo pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Essa proximidade fez com que Khamenei se tornasse um articulador das ideias e missões de Khomeini em território iraniano. Foi nesse período que o atual líder aprofundou suas teorias anticoloniais e antiocidentais — um contraponto aos Estados Unidos.
Revolução
Com a Revolução Iraniana de 1979, Khamenei consolidou-se como aliado próximo de Khomeini. Em junho de 1981, sofreu um atentado a bomba que paralisou permanentemente seu braço direito. Apenas quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos.
Reeleito em 1985, exerceu o cargo até 1989, ano da morte de Khomeini. Na época, o favorito para a sucessão era o aiatolá Hussein Ali Montazeri, mas, poucos meses antes, ele fez críticas públicas às violações de direitos humanos cometidas pelo regime. Diante do impasse, a Assembleia dos Peritos — órgão responsável pela escolha do líder — decidiu que Khamenei assumiria o posto.
A posse, contudo, exigiu uma manobra política e religiosa: Khamenei não possuía o grau de "marja" (referência religiosa suprema), requisito exigido pela Constituição da época para assumir o posto. O religioso, então, foi nomeado de forma temporária, enquanto a Assembleia dos Peritos alterava o texto constitucional para, só então, confirmá-lo no cargo.
Três décadas de poder
Após 35 anos na liderança, a autoridade de Khamenei permanece superior à do presidente, cargo ocupado hoje por Masoud Pezeshkian. Ao longo das décadas, ele fomentou um forte culto a sua personalidade e enfrentou diversas ondas de protestos, frequentemente reprimidas com violência. Sua gestão é marcada por uma linha dura nos costumes e por acusações de perseguir opositores no exterior, além de silenciar jornalistas e intelectuais dissidentes.
Em 2018, uma investigação da agência Reuters revelou que Khamenei controlava um império econômico avaliado em cerca de US$ 95 bilhões, construído majoritariamente a partir do confisco de propriedades de cidadãos e de minorias religiosas.
Atualmente, suas atribuições incluem o comando das forças armadas, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária, e a definição da estratégia externa, como o programa nuclear e a postura hostil em relação a Israel e ao Ocidente. Ele também nomeia os chefes do Judiciário e controla a rede estatal de mídia.




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