
Em clima de intensa instabilidade na América Latina e no Caribe, especialmente depois do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, as autoridades brasileiras, principalmente Marinha e Itamaraty, se mostraram internamente preocupadas com a situação. Porém, deveriam não apenas se preocupar, mas exigir mais informações quando navios estrangeiros atracam nos portos de nossa costa.
Desde 8 de janeiro, o navio-hospital chinês Ark Silk Road está atracado no porto do Rio de Janeiro, tendo recebido autorização para tal procedimento em setembro. Como toda embarcação-hospital, esta é toda branca e traz, em seu casco, imensas cruzes vermelhas a fim de identificar seu propósito.
Até aí, tudo bem. O problema é que, na área externa, é possível identificar equipamentos, como antenas, que denotam a presença, em seu interior, de aparelhos de inteligência capazes de coletar informações estratégicas sobre portos e características geográficas do litoral nacional.
O navio vem participando da chamada Missão Harmony 2025, do governo chinês e que, ao longo de 2020 dias. Irá percorrer 12 países na Oceania, Caribe e América Latina prestando, oficialmente, atendimento médico às populações locais. Um dos problemas é que, ao solicitar autorização ao Itamaraty para atracar, tal tipo de missão não foi citada, conforme documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo site Poder 360. A Secretaria de Saúde do Rio informou ao portal G1 que não houve nenhum tipo de atendimento médico na embarcação. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) cobrou da pasta esclarecimentos, e seus médicos foram impedidos de realizar vistoria no local.
No X, o Consulado Geral da China no Rio de Janeiro informou que o navio ofereceu apenas "intercâmbio de conhecimentos, treinamentos conjuntos e atividades culturais". Militares da Marinha do Brasil fizeram visitas de cortesia ao navio, mas o acesso é extremamente restrito. Também no X, a Marinha da China informou nesta quarta-feira (14) que realizou um evento de portas abertas, onde apresentou os "modernos equipamentos médicos de bordo, juntamente com o diagnóstico e tratamento específicos da medicina tradicional chinesa".
Não é de hoje que a presença de embarcações nas águas territoriais brasileiras põe em risco as relações com aliados e a soberania.
Em 2023, a autorização da União para a permanência dos navios militares do Irã, o Iris Makran e o Iris Dena, também no porto do Rio de Janeiro, provocou críticas por parte dos Estados Unidos. A então embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Bagley, chegou a pedir que o país não permitisse que os navios atracassem.




