
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) indica que 48% da população da região metropolitana de Porto Alegre desconhece o que realmente o que foi o Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus pela Alemanha nazista.
O número total é a soma de dados que integram o levantamento “O conhecimento do Holocausto no Brasil” e acumula os números de pessoas que não souberam responder ou erraram a resposta.
Em contrapartida, 52% dos entrevistados definiram corretamente o evento como o "assassinato sistemático de 6 milhões de judeus".
O levantamento foi realizado pelo Grupo ISPO a pedido da Confederação Israelita do Brasil (Conib), do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Museu do Holocausto de Curitiba e da ONG StandWithUs Brasil.
Na região metropolitana de Porto Alegre, foram ouvidas 1.042 pessoas. O detalhamento das respostas aponta que:
- 52% definiram como o assassinato sistemático de 6 milhões de judeus;
- 36% não souberam responder;
- 7% descreveram como um conflito militar que matou 50 milhões de pessoas;
- 3% afirmaram ser um movimento cultural que promoveu a diversidade;
- 2% sugeriram ter sido um episódio isolado de violência, sem relevância histórica comprovada.
Reflexo nacional
O estudo teve início na região Sul como um projeto-piloto e, posteriormente, foi estendido para todo o país. Na Região Sul — que compreendeu as regiões metropolitanas de Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba —, foram ouvidas 2.482 pessoas. Os dados regionais revelam que:
- 62% afirmam ter algum conhecimento sobre o Holocausto;
- 53% demonstram entendimento correto sobre o tema.
Em âmbito nacional, com 7.762 entrevistados, os números são similares aos locais:
- 53,2% acertaram ao definir o Holocausto como o extermínio de 6 milhões de judeus;
- 31,1% não souberam responder;
- 9% confundiram com um conflito militar de 50 milhões de vítimas;
- 3,8% classificaram como movimento cultural;
- 2,9% definiram como episódio isolado de violência não comprovado.
A pesquisa também segmentou os dados por faixa etária, gênero, escolaridade e religião, além de mapear as fontes de informação dos entrevistados (escola, redes sociais ou imprensa).
— Um elemento comum em Porto Alegre, em Santa Catarina e no Brasil inteiro é que o grau de instrução interfere diretamente no domínio do tema. Identificamos em todas as regiões que, quanto maior a escolaridade, maior o conhecimento. Este é o ponto central que servirá de base para as ações das instituições contratantes: fortalecer o ensino do Holocausto e o que ele representa para que possamos melhorar esses índices no futuro. A educação é o elemento fundamental para o entendimento do tema — afirmou Salus Loch, CEO da ISPO.






