
O Hospital Centenário, de São Leopoldo, iniciou nesta segunda-feira (26) um mutirão de atendimentos com o objetivo de zerar a fila de espera por procedimentos oncológicos. A promessa é de que todos os pacientes inscritos sejam atendidos no primeiro semestre. Atualmente, a fila inclui cerca de 3,5 mil exames, 690 pessoas aguardando cirurgia e 70 biópsias.
O modelo de mutirão tem se consolidado como a principal tática para amenizar o problema das filas no Rio Grande do Sul. Embora não resolva a situação de forma estrutural, reduz o sofrimento de quem está na ponta, à espera de atendimento — e, por si só, isso já é muito.
Em Marau, no norte do Estado, por exemplo, o Hospital Cristo Redentor realizou, por meio do SUS Gaúcho, cerca de 200 cirurgias de joelho no fim do ano. Havia pacientes esperando há 10 anos por procedimentos.
Uma das vantagens do mutirão é a mobilização total das equipes de saúde com foco no atendimento: o paciente é chamado, realiza exames laboratoriais e de imagem, e, ao chegar ao cirurgião, já está com tudo pronto para agendar a cirurgia.
Em dezembro, reportagem de Giovani Grizotti revelou que havia 219 mil pedidos de cirurgias eletivas na fila do SUS no Estado. Em relação a novembro, houve uma redução de 50 mil solicitações.
A ortopedia concentra a maior demanda, seguida pelas cirurgias do aparelho digestivo e pelas oftalmológicas. O SUS Gaúcho conseguiu reduzir as filas das duas primeiras especialidades. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o foco para 2026 será ampliar o atendimento em áreas como dermatologia, urologia e cirurgia geral.
Pontos de atenção
Não se resolvem os problemas da saúde pública sem investimento. Segundo o Simers, há atrasos no pagamento de médicos em diversos hospitais da Região Metropolitana.
Em Canoas, os residentes do Hospital Universitário anunciaram paralisação para esta quinta-feira. Alegam dificuldades para a formação, como falta de preceptores e anestesistas, além de equipamentos em condições precárias.
Em Esteio, cirurgiões do Hospital São Camilo receberam apenas 50% dos honorários referentes a dezembro — o restante segue em aberto. Médicos da emergência ainda não foram pagos.
Em Gravataí, há pendências financeiras envolvendo o Hospital Dom João Becker.
Já em Sapucaia do Sul, o Hospital Getúlio Vargas, que atravessa uma grave crise financeira, enfrenta problemas após a saída da empresa terceirizada que operava a instituição, deixando dívidas em aberto.





