
Muito provavelmente, o presidente Lula e a diplomacia brasileira já tomaram a decisão sobre o convite feito por Donald Trump para que o Brasil participe do chamado Conselho da Paz, o clube privado que o americano pretende fundar em substituição às Nações Unidas. A resposta será não — a menos que tal conselho se restrinja a atuar na questão de Gaza.
O problema é como dizer isso a Trump, um presidente que não gosta de ser contrariado e que, diante de rejeições, costuma reagir de forma binária: acusando o interlocutor de terrorismo ou punindo com taxações.
Não é simples responder a Trump, sobretudo porque o convite embute uma armadilha: quem se oporia a participar de conversas de um grupo cujo nome traz a palavra "paz"?
O Brasil tem um histórico de participação em temas relacionados ao Oriente Médio — da fundação do Estado de Israel a missões de paz, como no Batalhão Suez, entre 1957 e 1967 no Egito. Sem falar da sabida ambição de Lula por um papel de mediador global e do argumento recorrente na diplomacia brasileira: às vezes, é melhor estar dentro das instituições — mesmo imperfeitas — do que fora delas. Foi esse raciocínio que sustentou, por exemplo, a entrada do Brasil na Opep+.
Dentro da lógica punitiva de Trump, dizer não pode reacender a ira do presidente americano em um momento delicado das negociações na nova rodada sobre tarifas. Rejeitar o convite também pode fechar a porta para o Brasil em um futuro sobre a Venezuela.
Diante desse impasse, Lula parece ter seguido a velha máxima diplomática: em reuniões difíceis, o mais importante é garantir que haja uma próxima.





