
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Há pouco mais de três meses, em 10 de outubro, entrou em vigor o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
Embora o acordo — mediado por Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia — tenha interrompido os bombardeios, o território vive sob instabilidade.
Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado nesta terça-feira (13) aponta que ao menos cem crianças morreram em ataques na Faixa de Gaza desde o início da trégua. O Hamas, que segue controlando a estrutura do governo, inclusive o Ministério da Saúde, afirma que 442 pessoas morreram desde o cessar-fogo (165 crianças), mas esses dados são contestados pela origem da fonte.
Uma das cenas que marcaram o início da vigência do cessar-fogo foi o retorno em massa da população ao que havia sobrado de suas casas - das áreas relativamente seguras, no sul do território, para o centro e o Norte, onde ficam os principais redutos urbanos. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) informa que, desde outubro, foram documentadas quase 815 mil movimentações de pessoas, sendo aproximadamente 678 mil.
E o plano de paz?
Gaza vive a primeira fase do plano de 20 pontos proposto pelos EUA. O próximo passo — o desarmamento do Hamas — ainda não se concretizou. Atualmente, Israel mantém o controle de corredores estratégicos, como o Corredor Netzarim (que divide ao meio o território). Essa área limita a circulação e dificulta o planejamento de emergência.
No último domingo (12), segundo o The Times of Israel, o Hamas instruiu suas agências a prepararem a transferência de poder para um comitê independente de tecnocratas palestinos. A expectativa agora recai sobre o anúncio, por parte de Donald Trump, da composição do Conselho de Paz que supervisionará essa nova administração.
E os reféns?
O acordo de outubro estabeleceu que o Hamas devolveria 20 reféns israelenses vivos e os restos mortais de outros 28. Em contrapartida, Israel deveria devolver corpos de palestinos sob sua custódia (na proporção de 15 para cada refém morto).
Dos reféns vivos, todos foram libertados em 13 de outubro, em troca de 250 prisioneiros palestinos e 1.718 detidos. Dos mortos, até dezembro os corpos de 27 reféns foram entregues (23 israelenses, dois tailandeses, um nepalês e um tanzaniano). Israel, por sua vez, já devolveu os corpos de 345 palestinos.
Últimas notícias
Em dezembro, Israel anunciou a revogação das licenças de 37 ONGs internacionais (incluindo ActionAid, International Rescue Committee, Médicos Sem Fronteiras e Conselho Norueguês para Refugiados), alegando descumprimento de novas regras de registro. As entidades têm 60 dias para encerrar as operações. Em 2 de janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e diversos países pediram que a decisão fosse revertida.
As temperaturas nesta época do ano estão mais baixas na região, a mínima a 8°C. Sem infraestrutura, mais de 1 milhão de pessoas vivem em tendas ou prédios semidestruídos. Agências da ONU reportam mortes de recém-nascidos e idosos por hipotermia.





