
Em uma sociedade marcada por golpes e contragolpes, o futuro da Venezuela passa pelo papel que as forças armadas terão nos próximos dias — e meses.
Ainda que não esteja claro como os Estados Unidos pretendem administrar interinamente o país, conforme o pronunciamento de sábado (3) de Donald Trump, qualquer ação de transição deverá contar com algum nível de apoio da caserna. A exceção seria se houvesse o empenho de tropas americanas no terreno, o que, aparentemente, neste primeiro momento não irá ocorrer.
O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma, de forma interina, os poderes de Nicolás Maduro. Ela é uma política importante na interlocução interna e externa. Mas, como é uma civil, em um país onde os militares sempre orbitaram o poder, não se pode descartar um racha entre facções dentro do chavismo-madurismo.
Daí a importância de outros dois nomes: Padrino López, o ministro da Defesa, que exerce o comando das forças armadas desde 2014, e Diosdado Cabello, ministro do Interior, uma das figuras mais temidas e poderosas do regime.
Ambos erigiram a experiência bolivariana na Venezuela desde os anos 2000, como homens de confiança de Hugo Chávez.
López foi fundamental durante o breve período em que Chávez sofreu um golpe de Estado, em abril de 2002, uma vez que, em meio à intentona, ele comandava uma unidade de blindados aquarteladas no Forte Tiuna — e não aderiu ao levante, o que mostra sua fidelidade ao regime.
Já Cabello, amigo de longa data de Chávez, era tenente e participou, ombro a ombro, da tentativa de golpe fracassado liderada pelo ex-líder em fevereiro de 1992. Ambos ocuparam lugares de destaque na cúpula do regime desde que o chavismo-madurismo assumiu a Venezuela.



