
Cedo ou tarde - ou ainda mais tarde, Lula terá de se posicionar sobre a Venezuela.
O silêncio do presidente, já citado nesta coluna, não pode durar para sempre sob pena de o Brasil perder protagonismo em sua própria zona de influência, a América do Sul.
Lula sempre almejou ser uma voz internacional. Em 2010, em uma das mais altas cartadas do Itamaraty, o Brasil por pouco não alcançou um acordo em Teerã entre EUA e Irã sobre a produção nuclear dos aiatolás. Lula também tentou oferecer-se para mediar a guerra entre Rússia e Ucrânia, mas esbarrou na própria retórica ideológica e mal calibrada, que inviabilizou a neutralidade do governo.
Por óbvio, falar de Venezuela, para Lula, é pisar em ovos: qualquer frase mal colocada pode fazer desandar os acordos obtidos até agora na crise tarifária com os EUA. O problema é que a quem mais é dado, mais é cobrado: o histórico do presidente brasileiro como crítico de Nicolás Maduro é muito recente, vem desde a eleição fraudada de 2024. Os tapinhas nas costas, as passadas de pano e os tapetes vermelhos estendidos ao ditador são mais presentes na memória. E não se afasta essa alcunha de "amigo de Maduro" uma hora para outra.
Na semana passada, Lula recebeu telefonemas da presidente do México, Claudia Sheinbaum, e da Colômbia, Gustavo Petro, e conversou com os primeiros-ministros Pedro Sánchez, da Espanha, e Mark Carney, de Portugal. Até sexta-feira, ligarão os presidentes francês, Emmanuel Macron, e o português Marcelo Rebelo de Sousa. Todos querem saber a opinião de Lula para calibrar suas respostas. Ser líder exige posição. Quase nunca ficar em cima do muro é a melhor escolha.






