
O ataque dos EUA à Venezuela foi por petróleo. Um possível bombardeio ao Irã dos aiatolás será por... petróleo. Nada surpreendente. Nada mais coerente com a frase de Donald Trump na cerimônia de posse de um ano atrás: "Drill, baby, drill". "Perfure, querida, perfure".
Na agenda da política ambiental que o novo governo dos EUA vem implementando, Trump cancelou os programas de incentivo à transição energética, deixou o Acordo de Paris e, na base do porrete, vem preparando o terreno para as empresas americanas "perfurarem".
Enquanto isso, o temperatura média do planeta Terra, pelo terceiro ano consecutivo, chegou muito perto de 1,5°C em relação ao período pré-industrial, o marco simbólico estabelecido pela ONU como limite para mudanças irreversíveis nas condições ambientais.
O observatório europeu Copernicus e o instituto americano Berkeley Earth divulgaram o dado de 2025 nesta quarta-feira (14). No ano passado, ficou em 1,47°C acima. Em 2024, chegou em 1,60°C. E em 2023, 1,48°C.
Isso faz dos últimos 11 anos os mais quentes da História. Isso significa que a meta do 1,5°C já está ultrapassada? Não. Para que seja considerado o ponto de não retorno a ONU leva em consideração pelo menos 10 anos consecutivos de superação da marca. O problema não é o dado em si, mas o contexto.
1) Chegamos a esse patamar uma década antes do previsto em 2015, quando o tratado foi assinado. Ou seja, o planeta está aquecendo mais rapidamente do que o previsto.
2) As conferências da ONU sobre mudanças climáticas, as COPs, como a de Belém, são pouco resolutivas e seus documentos, sem poder de "enforcement" (cumprimento obrigatório).
3) O segundo maior poluidor do planeta, os EUA, tem um governo negacioniosta do clima e, ao invés de implementar política de transição energética, reforça o uso de combustíveis fósseis, causadores do efeito estufa, que aumenta a temperatura do planeta.
4) Com o mundo mais inseguro, com novas guerras surgindo e ameaças de invasão (dos EUA e da Rússia, por exemplo), governos revertem os recursos que poderiam ser orientados para transição energética para orçamentos de defesa.
Repito: o problema não é o dado em si, mas o contexto.




