
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O presidente americano, Donald Trump, completará um ano à frente dos Estados Unidos nesta terça-feira (20). Uma das premissas de seu segundo mandato, que vem sendo colocada em prática, é a intensificação de ações militares globais como demonstração de força. Neste primeiro ano, o republicano atacou sete países. Somente em 2026, foram cinco novas ameaças.
Essa diretriz tornou-se explícita com a divulgação da National Security Strategy 2025 (Estratégia de Segurança Nacional), no início de dezembro. O documento, que orienta a política externa e de defesa dos EUA, identifica adversários geopolíticos e oficializa a reorientação da presença militar americana sob a lógica do "Trump Corollary" (Corolário Trump) à Doutrina Monroe.
Países atacados
Neste período, os EUA realizaram intervenções diretas em sete países: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Somália e Iêmen.
- Venezuela: no início de 2026, na operação "Absolute Resolve", tropas americanas realizaram uma incursão em solo venezuelano que resultou na captura de Nicolás Maduro.
- Irã: em junho de 2025, os EUA executaram a operação "Martelo da Meia-Noite" (Midnight Hammer), atingindo instalações nucleares em Fordow, Natanz e Isfahan. O ataque marcou a entrada americana na "Guerra dos 12 Dias" entre Israel e Irã.
- Síria e Iraque: operações contínuas atingiram arsenais e lideranças remanescentes do Estado Islâmico.
- Nigéria: em meados de dezembro, ataques aéreos americanos visaram bases logísticas do Boko Haram e facções jihadistas locais.
- Somália: foram registrados mais de 110 ataques aéreos contra o grupo Al-Shabab no último ano.
- Iêmen: as Forças Armadas americanas bombardearam um terminal petrolífero no Iêmen contra uma posição do grupo rebelde Houthi — integrante do "Eixo da Resistência", conjunto de atores regionais alinhados ao Irã.
Ameaças e tensão diplomática
Apenas nas primeiras semanas de 2026, Trump já direcionou ofensivas diplomáticas ou ameaças militares à Groenlândia, Colômbia, Cuba, México e novamente ao Irã.
- Groenlândia: Trump afirmou que a anexação do território é vital para a "segurança nacional" e para a implementação do projeto "Domo de Ouro" (Golden Dome), um sistema de defesa antimísseis.
- Irã: Com o país mergulhado em protestos que já somam milhares de mortos, os EUA mobilizaram um porta-aviões para o Oriente Médio, aumentando a pressão sobre o regime do aiatolá Ali Khamenei.
- Colômbia e Cuba: Após a operação na Venezuela, Trump elevou o tom contra o governo de Gustavo Petro, sugerindo intervenções contra o narcotráfico. No caso de Cuba, o presidente sugeriu que o país faça acordos com Washington "antes que seja tarde", agora que os EUA controlam a produção de petróleo venezuelana.
- México: As ameaças focam no combate aos cartéis de drogas e ao fluxo imigratório. Trump não descartou o uso de força terrestre contra organizações criminosas no país vizinho, alegando falhas das autoridades mexicanas.





