
Ao comentar a crise no Irã e a ameaça de um ataque dos Estados Unidos ao país do Oriente Médio, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que "ditadura deve ser combatida em todo lugar, seja de esquerda ou de direita". A manifestação ocorreu durante entrevista no programa "Bom Dia, ministro", da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
- O jurista Sobral Pinto dizia que a ditadura é a apoteose da violência e a consagração do crime. Ela deve ser combatida em todo lugar, seja de esquerda ou de direita. Temos de defender a democracia, onde o povo é o protagonista - afirmou, ao ser questionado pela coluna sobre se o Brasil teria planos de contingência para lidar com a crise no país, em especial riscos de aumento do preço do petróleo e prejuízo às exportações.
O Irã é o 31º maior destino dos produtos brasileiros, vendendo principalmente milho e soja. O Brasil importa adubo, fertilizantes e nozes, entre outros produtos.
Alckmin lembrou a tradição de paz da diplomacia brasileira e destacou que o país deveria ser mais ouvido nos fóruns internacionais. Ele salientou a defesa de princípios como o direito internacional:
- É um momento difícil. Temos conflito no Irã, Rússia invadindo Ucrânia, problemas no Oriente Médio, Venezuela com presidente capturado. É o momento de o Brasil ser mais ouvido. Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, vamos tratar de melhorar a vida do povo, através do emprego e da melhora de renda.
Alckmin estava no Irã, em julho 2024, quando um ataque matou o líder do grupo terrorista Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã. Ele era um dos convidados da posse de Masoud Pezeshkian, assim como outras centenas de autoridades de diversos países. Momentos antes da morte do extremista, os dois estavam na mesma cerimônia.
Na entrevista desta quinta-feira (15), ao ser questionado sobre a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de sobretaxar em 25% produtos de países que mantiverem relações com o Irã, o ministro explicou que o governo aguarda mais detalhes. A despeito das declarações do presidente americano, ainda não há uma ordem executiva nesse sentido.
- Não sabemos se esses 25% é para tudo (todos os produtos), se é para alguns produtos, ou que tipo de comércio é esse com o Irã. Porque a maioria dos países do mundo, inclusive europeus, tem relações comerciais (com o Irã). O Irã é um pequeno participante do comércio exterior brasileiro, está no fim da fila, não tem grande relevância, mas somos grandes exportadores, vendemos muito mais para eles do que compramos deles. No que depender de nós é derrubar barreiras, é ampliar o comércio internacional - explicou.
O ministro destacou ainda que o acordo Mercosul-União Europeia (UE), que deve ser assinado no sábado (17), no Paraguai, se torna, diante das crises atuais, um símbolo de crença no multilateralismo:
- Você mostra que é possível, pelo diálogo, entendimento, negociação, abrir mercado. O comércio aproxima os povos, aproxima as culturas, promove paz, o turismo, você conhece novas civilizações, aproxima as nações.
Ele lembrou que o tratado está alinhado com as metas de sustentabilidade e os compromissos assumidos pelo Brasil de desfossilização da economia.
- Na COP (de Belém) foi lançado o TFFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), fundo privado de investimentos, para florestas. O acordo (Mercosul-UE) fortalece os compromissos do Brasil com a sustentabilidade e o combate às mudanças climáticas. O ano passado foi um dos mais quentes do mundo, é dever de todos nós, reduzirmos emissões para reduzirmos o aquecimento do planeta - salientou.


