
Pouco mais de 36 anos depois da operação Just Cause (Justa Causa), em que os Estados Unidos prenderam o general Manuel Noriega, ditador do Panamá, uma operação semelhante, agora contra Nicolás Maduro, ocorre na Venezuela. A ação de dezembro de 1989, que pôs fim ao reinado do outrora todo-poderoso líder panamenho, que chegou a ser colaborador da CIA, indica rumos possíveis para o futuro do bolivariano, preso na madrugada deste sábado (3), em Caracas, em uma ação dos EUA, que combinou fogo aéreo com operação sigilosa da Delta Force, força especial americana.
No final da década de 1980, sob ordens do então presidente George H. Bush (pai de George W. Bush), tropas dos EUA invadiram os Panamá para capturar Noriega e levá-lo a julgamento. Acabaram cercando seu último esconderijo, torturando-o por 10 dias, até que ele se rendesse e fosse algemado. À época, Bush acusou Noriega de envolvimento com o narcotráfico - argumento semelhante ao usado por Donald Trump em relação a Maduro. A gota d'água no Panamá foi quando as forças de Noriega mataram um fuzileiro naval americano em um bloqueio de estrada.
Noriega ser um criminoso procurado. O Departamento de Justiça o havia indiciado por aceitar enormes subornos em troca de permitir que traficantes de drogas enviassem cocaína através de seu país. No caso de Maduro, a acusação é de chefiar o Cartel de los Soles. Desde setembro, bombardeios a embarcações que supostamente transportavam drogas deixaram mais de cem mortos no Caribe.
Para Noriega, a fuga nunca foi uma opção. Tampouco para maduro. Na época, uma equipe de elite da marinha americana invadiu um aeroporto e atingiu o jato particular de Noriega. No caso deste sábado, importantes ícones do regime Maduro foram alvos das operações em Caracas e outros Estados venezuelanos.
Após a rendição, Noriega foi levado para a Flórida para ser julgado. Ele foi condenado e passou o resto da vida na prisão até pouco antes de sua morte em 2017, em um hospital panamenho, após uma cirurgia no cérebro. O paradeiro de Maduro é, até o momento, incerto. Pode ter sido levado para Guantánamo, base naval dos EUA encravada na ilha de Cuba, para uma embarcação, como o porta-aviões USS Gerald Ford, que está no Caribe, ou mesmo para o território continental americano - a própria Flórida, sede do Comando Sul dos EUA. Não se espera que Trump revele o local, na coletiva deste sábado. Mas certamente Maduro não voltará para a Venezuela.




