
Quando uma guerra é iminente, os presidentes dos Estados Unidos costumam dizer que "todas as opções estão sobre a mesa". No caso do Irã, essa frase, geralmente usada para despistar a imprensa, tem um fundo de verdade.
São várias as opções que Donald Trump tem, do ponto de vista militar, para uma ação armada contra o regime dos aiatolás - com diferentes riscos de retaliação.
O Eurasia Group estima que há 80% de probabilidade de os EUA realizarem ataques aéreos contra o território iraniano.
Os bombardeios americano de junho do ano passado contra instalações nucleares iranianas mostraram que as defesas antiaéreas dos aiatolás são precárias. Os EUA poderiam seguir esse modelo, fazendo ataques com mísseis contra quartéis da Guarda Revolucionária, em especial das Forças Basij, responsáveis pela truculência contra os manifestantes nos últimos dias. Esses ataques não teriam como objetivo a mudança de regime, mas enviar um sinal de apoio aos ativistas que estão nas ruas. A resposta poderia vir em forma de bombardeios, com drones ou mísseis, contra bases americanas na região e a Israel. Ainda que fragilizados, os braços terroristas do Irã (Hezbollah, Hamas e Houtis) ainda operam e poderiam atacar alvos americanos ou de aliados nos países da região.
Outra opção, "à la Venezuela", seria a decapitação do regime: a morte ou captura do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Também como na Venezuela, apenas a neutralização do comando do governo não é suficiente para derrubar a ditadura. Seria necessário eliminar o establishment militar formado pela Guarda Revolucionária, pilar de sustentação do poder iraniano.
Essa opção implicaria riscos de um vácuo de poder, a ser ocupado por diferentes forças - remanescentes da Guarda Revolucionária (controla tropas, mísseis, inteligência e grande parte da economia, poderia entrar em conflito com o exército (menos ideologizado).
Uma ação com menor riscos poderia envolver ataques cibernéticos. Nesse caso, o objetivo pode ser sabotagem de sistemas militares e de segurança (comunicações militares, radares, sistemas de comando e controle) para preparar uma ação armada, ou para expor dados do governo, por meio de vazamentos seletivos de documentos, que evidenciem corrupção e amplificar divisões internas a fim de provocar desgaste estratégico. Ataques financeiros e administrativos, tendo como alvos bancos estatais, sistema de pagamentos e ministérios, podem paralisar o Estado, mas teriam como risco de efeito colateral a suspensão de serviços de saúde, como hospitais — o que fragilizaria a população.





