
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um dos mais importantes jornais britânicos, o The Guardian, publicou uma reportagem com tom de ironia direcionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à sua equipe jurídica. O texto ironiza a possibilidade de Bolsonaro ler livros durante o cumprimento de sua pena de 27 anos como estratégia para reduzir o tempo de reclusão.
A reportagem, escrita pelo jornalista Tom Phillips, que é correspondente do Guardian para a América Latina, afirma:
"Os advogados de Jair Bolsonaro parecem ter se aprofundado no código penal do país e encontrado uma maneira de ajudar seu cliente a reduzir a pena de 27 anos de prisão — recebida no ano passado por conspiração para um golpe de Estado: a leitura."

Em outro trecho, a notícia resgata frases ditas por Bolsonaro em 2021:
"Há apenas um problema: o ex-presidente brasileiro de extrema-direita nunca foi conhecido por ser um bibliófilo. 'Desculpe, não tenho tempo para ler', declarou Bolsonaro certa vez. 'Já faz três anos que não leio um livro', acrescenta a publicação."
Atualmente, a legislação brasileira prevê a remição de pena pela leitura, permitindo que detentos reduzam quatro dias de sentença para cada obra lida. Segundo o texto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria autorizado a participação do ex-presidente no programa após pedido de sua defesa.
Entre as obras que Bolsonaro poderá ler, estão:
- "Ainda estou aqui", de Marcelo Rubens Paiva
- "Democracia", de Philip Bunting
- "Crime e castigo", de Fiódor Dostoiévski
- "A revolução dos bichos", de George Orwell
- "Guerra e paz", de Liev Tolstói
- "Incidente em Antares", de Érico Veríssimo
- "Na minha pele", de Lázaro Ramos
- "O príncipe", de Nicolau Maquiavel
- "Pequeno manual antirracista", de Djamilla Ribeiro
- "Tudo é rio", de Carla Madeira
- "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves
- "1984", de George Orwell
- "1968: o ano que não terminou", de Zuenir Ventura





