
A História ajuda a iluminar esses tempos sombrios. Em fevereiro de 1945, no Palácio de Livadia, no balneário de Yalta, na Crimeia, Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Josef Stalin sentaram-se à mesa para redesenhar o mundo conforme seus interesses.
A Alemanha seria dividida em zonas de ocupação, Berlim também seria partilhada, o Leste Europeu seria reorganizado e a ONU começaria a nascer.
O encontro lançou as bases da ordem internaconal do pós-guerra e, ato contínuo, pode ser considerado o marco inicial da Guerra Fria.
É mais ou menos o que Donald Trump está propondo agora, 81 anos depois, com seu chamado "Conselho da Paz". O clube do americano é menos para gerir a Faixa de Gaza. Aparentemente, tem a ambição de "resolver" todos os conflitos do mundo.
A carta da Casa Branca foi despachada para cerca de 60 chefes de Estado e de governo, os escolhidos de Trump - entre eles, o presidente Lula -, o que faz pensar que esse grupo conformaria uma espécie de "ONU paralela".
Há mais dúvidas do que certezas sobre como seria esse Conselho - até porque Vladimir Putin, outro dos convidados, e a palavra "paz" não costumam combinar na mesma frase. Mas ok, coerência não é uma das qualidades de Trump. Marco Rubio, o mentor do ataque armado à Venezuela, Aleksandr Lukashenko, o fantoche de Putin, e Jared Kushner, genro do presidente, também estão na chamada junta executiva.
Outra das aberrações da ideia é que Trump seria o presidente fundador e quase vitalício - ignorando que seu mandato na Casa Branca termina em 20 de janeiro de 2029, e, pela lei americana, ele não pode concorrer novamente.
Ao americano caberia, segundo a Bloomberg, convidar e admitir os membros, que teriam mandato de três anos. Para ficar mais tempo, bastaria pagar US$ 1 bilhão. Só faltou informar a chave Pix do clube privativo de Trump e divulgar sua sede. Aliás, em vez de Yalta, quem sabe Mar-a-Lago?



