
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Eleitores chilenos vão às urnas no domingo (14) para escolher o próximo presidente do país. Os cidadãos terão duas opções distintas: Jeannette Jara, da coalizão de esquerda, e José Antonio Kast, da ultradireita, este último atual favorito nas pesquisas.
Esquerdista
Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente, Gabriel Boric, é membro da coalizão governamental. Aos 51 anos, é a primeira candidata comunista no Chile desde o retorno da democracia. Durante a campanha, prometeu aprofundar as reformas sociais, fortalecer a segurança pública sem recorrer à militarização e combater o crime organizado e o narcotráfico.
Em sua trajetória pessoal, ingressou na Juventude Comunista aos 14 anos e se destacou como líder estudantil e social. Formada em Administração Pública pela Universidade de Santiago e em Direito pela Universidade Central do Chile, foi a primeira pessoa de sua família a obter um diploma superior.
Na vida pública, foi deputada por dois mandatos, focando em temas como direitos humanos, cultura, educação e memória histórica. Atuou no governo do presidente Ricardo Lagos (2000 a 2006) e foi Subsecretária de Previdência Social (2016-2018) no segundo mandato da ex-presidente Michelle Bachelet. Retornou ao governo em 2022 como Ministra do Trabalho e Previdência Social, onde implementou uma reforma da previdência, a redução da jornada de trabalho e o aumento do salário mínimo — pauta que pretende retomar se for eleita.
Outro ponto de seu plano de governo é a imigração: ela propõe controlar as entradas por passagens clandestinas e realizar um censo de imigrantes indocumentados para identificar e expulsar aqueles com antecedentes criminais.
Ultradireitista
José Antonio Kast, de 59 anos, representa o espectro político antagônico ao de Jara. Ultradireitista e de forte perfil conservador, já concorreu duas vezes à presidência do Chile. Nas eleições de 2021, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo atual presidente.
Na vida pública, Kast pertenceu anteriormente ao partido de direita União Democrática Independente e foi deputado entre 2002 e 2014 e 2014 a 2018.
Em suas propostas, Kast defende medidas imigratórias mais rigorosas. Sua proposta de "escudo fronteiriço" inclui erguer um muro na fronteira com a Bolívia, cavar uma trincheira e mobilizar militares para conter entradas ilegais. Outra proposta apresentada durante a campanha foi a expulsão de cerca de 340 mil imigrantes indocumentados que vivem no Chile.
Embora evite comentar publicamente sobre a ditadura chilena, no passado Kast já defendeu aspectos do legado do ditador Augusto Pinochet.
Ele também se opõe ao aborto, inclusive em casos de estupro, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à discussão de identidade de gênero nas escolas. Na economia, defende um Estado mínimo, com redução de impostos e cortes nos gastos públicos.





