
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Desde o início do mês, o principal assunto das rodas de conversa e dos corredores políticos de Washington se concentra no caso da divulgação dos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, bilionário condenado por chefiar uma rede de exploração sexual de menores. Contudo, novos documentos vieram à tona nesta terça-feira (23) e citam, em diversos pontos, o nome do presidente Donald Trump.
São quase 30 mil páginas que reúnem e-mails, denúncias e registros relacionados à morte de Epstein.
Os arquivos mostram que Trump viajou pelo menos oito vezes no jatinho particular de Epstein entre 1993 e 1996. A comprovação aparece em um e-mail de 2020 de um procurador federal do Distrito Sul de Nova York, no qual é mencionado que Trump voou no avião do bilionário. O procurador menciona, também, que dois desses voos incluíam “mulheres que poderiam ser testemunhas em um caso envolvendo Maxwell” — trata-se de Ghislaine, ex-companheira e cúmplice de Epstein.
Outro destaque é uma carta assinada por “J. Epstein” em 2019 e endereçada ao ex-médico da equipe de ginástica dos EUA, Larry Nassar — também condenado por crimes sexuais. O texto diz: “Tínhamos algo em comum… nosso amor e carinho por moças jovens e a esperança de que elas alcançassem seu pleno potencial. Nosso presidente também compartilha nosso amor por moças jovens e atraentes”. Analistas e a imprensa americana apontam que, pela data da carta, a referência seria a Trump, que exercia seu primeiro mandato na época. O Departamento de Justiça, no entanto, contesta a veracidade do documento, afirmando tratar-se de uma falsificação.
Outros pontos relevantes
Entre as informações divulgadas, está uma série de e-mails de 2019, aparentemente assinados por agentes do FBI, que citam "10 co-conspiradores". "Quando tiver um tempinho, pode me dar uma atualização sobre a situação dos 10 conspiradores?", dizia uma mensagem enviada por um remetente identificado como "FBI Nova York". Os documentos também incluem memorandos posteriores à morte de Epstein, em agosto de 2019, que descrevem cúmplices que poderiam ser indiciados.
Há, ainda, uma intimação de 2021 referente ao caso de Ghislaine enviada ao clube Mar-a-Lago, de Trump, solicitando “todos e quaisquer registros de emprego relacionados a” um indivíduo cujo nome foi omitido. Trocas de mensagens entre fevereiro e março de 2002 mostram, também, Ghislaine e um homem identificado como "A" ou "O Homem Invisível" planejando uma viagem ao Peru que envolveria "garotas". Coincidentemente, o príncipe Andrew, que já foi citado em outros documentos ligados a Epstein, visitou o país na mesma época em missão oficial.
O novo lote de documentos, liberado pelo Departamento de Justiça, inclui também evidências de que promotores americanos buscaram investigar e potencialmente acusar outros envolvidos nos crimes de Epstein.
Documentos anteriores
Na última sexta-feira (19), outra leva de documentos já havia sido revelada. O material contém fotos de celebridades e políticos que compunham o círculo social de Epstein, como o ex-presidente Bill Clinton, o ator Kevin Spacey, o cantor Michael Jackson e a cantora Diana Ross.
Além disso, os arquivos mencionam um "grande grupo brasileiro" em um depoimento ao FBI, datado de maio de 2019. Há também o relato sobre uma menina menor de idade, recém-chegada aos EUA, descrita com "aparência amazônica". Uma anotação lateral indica: "vivendo com a mãe aos 13, saiu de casa aos 14".
Com as novas divulgações, desde sexta-feira já são 130 mil páginas do caso.
Relembre o caso
Jeffrey Epstein foi um financista influente com trânsito livre nos meios político e artístico. Investigações provaram que ele abusou de dezenas de menores no início dos anos 2000 em suas propriedades, incluindo a ilha de Little St. James. Embora seja notório que Trump tenha convivido com Epstein na década de 1990, quando ambos frequentavam a alta sociedade de Nova York, não há, até o momento, acusações formais ou provas de que o atual presidente tenha participado dos crimes do bilionário. Epstein cometeu suicídio na prisão em 2019.



