
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O orçamento das universidades federais brasileiras sofrerá impactos significativos no próximo ano. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026, aprovado pelo Congresso na sexta-feira (19), previa R$ 6,89 bilhões para 69 instituições, mas sofreu um corte de R$ 488 milhões, reduzindo o montante para cerca de R$ 6,43 bilhões. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é uma das afetadas: o orçamento, inicialmente previsto em R$ 200 milhões, caiu para R$ 186 milhões.
A informação sobre o corte foi divulgada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) na terça-feira (23). A entidade avalia que o PLOA representa uma redução de 7,05% nos recursos discricionários — verba destinada a despesas não obrigatórias, como contas de luz e água, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa e compra de equipamentos. Na UFRGS, a queda é de 7,23%.
Segundo a reitora da universidade, Marcia Barbosa, o orçamento de 2025 cobriu despesas essenciais, como água, luz, serviços terceirizados, assistência estudantil e o Restaurante Universitário (RU). Para ela, o planejamento de 2026 já nasce comprometido.
— Terei que optar entre manter a limpeza, a segurança e a energia elétrica, que sustenta equipamentos caríssimos, ou o RU, que alimenta estudantes carentes e trabalhadores. É uma "escolha de Sofia" — comentou Marcia, referindo-se ao romance de William Styron, que narra uma decisão impossível e trágica.

Segundo ela, o orçamento de 2025 já foi "no limite". O recurso extra que a universidade adquire fora do escopo federal é destinado para projetos e ações de pesquisa, não para o pagamento de contas diárias.
— Temos que manter animais na Estação Experimental Agronômica. Corto a ração? Corto o investimento nas plantações que levaram o RS a ser o maior produtor de aveia do país? Para pesquisa e extensão, temos fontes de financiamento externas, mas elas não pagam despesas correntes. Temos dinheiro para comprar supercomputadores, mas não para pagar a energia — pondera.
Investimentos na Serra
No segundo semestre de 2025, a UFRGS iniciou sua expansão com a confirmação do Campus Serra, previsto para operar em 2026.
— Para a Serra, teremos de buscar novos recursos. O MEC prometeu esse aporte e espero que cumpra. No momento, aguardo o orçamento da Caixa Econômica Federal para a compra do prédio. Já temos dois cursos aprovados para o primeiro semestre de 2026: Ciência de Dados e Psicologia.
Situações para reverter
A reitora espera que o Ministério da Educação (MEC) recomponha os recursos. A coluna também questionou sobre possíveis cortes na UFRGS:
— Eu me recuso a falar nisso agora, porque agora a minha pressão é para gente ter do MEC esse recurso dado de volta. Eu acho que a gente tem que lutar para conseguir pelo menos manter o mesmo que era o que tínhamos no passado.





