A secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, alertou na quarta-feira (10) para o risco de aumento de feminicídios e violência doméstica nas celebrações de final de ano.
A advertência, feita durante participação no programa Conversas Cruzadas, de GZH, deve-se aos feriados prolongados nessas datas. No feriado da Páscoa, em 2025, o Rio Grande do Sul chegou a registrar seis feminicídios na sexta-feira.
Os dois feriados prolongados no Natal e Réveillon são motivos para a secretaria, segundo ela, ter lançado a campanha de combate à violência contra a mulher, que tem como slogan "Não maquie, denuncie".
— A mesma condição que tivemos na Páscoa, teremos no Natal e no Ano-Novo, feriado de cinco dias, de comemoração, onde a família se reúne, e pior, vai repetir na outra semana. Sós que somos da área da saúde (a secretária é enfermeira de formação), assim como da segurança, sabemos que, depois de feriados prolongados, finais de semana, jogos de futebol, dá problema, aumentam os boletins de ocorrência — afirmou Fábia.
A secretária destacou como altos os custos desse fenômeno para as forças de segurança.
— O efetivo fica três horas a mais depois de jogos de várzea. Se perguntares ao comandante da BM da minha região, de Camaquã, vai te dizer: Tenho de deixar meu efetivo mais três horas depois de um jogo de várzea, porque dá boletim de ocorrência — acrescentou.
Segundo Fábia, das 75 mulheres mortas em casos de feminicídios registrados no Estado pela secretaria em 2025, 70 não tinham medida protetiva. Com o caso do corpo de uma mulher encontrada em uma lixeira na zona norte de Porto Alegre já são 76 registros neste ano.
Fábia defende uma abordagem além do campo da segurança pública para reduzir o problema:
— A gente precisa acolher mais, dar mais condições, tirar a mulher desta situação. As tornozeleiras são ótimas. Mas tenho dito que o Rio Grande do Sul é muito grande, diverso em termos de colonização, de economia, e até em relação ao que se bebe, porque o álcool está envolvido nisso. A gente tem de olhar para cada região e entender como se dialoga com isso. Ela salientou a realidade, por exemplo, da mulher rural, como diferente da urbana.
- A mulher rural está a três quilômetros de um vizinho, o que dirá da polícia - pontuou.
Na tentativa de traçar o perfil social de vítimas, a secretária descobriu um fenômeno recente: a violência contra mulheres idosas:
— Uma mulher toda faceira, toda bonita, que costuma ir ao bailinho, que é aposentada e, podendo viajar, de repente, arruma um namorado, um pouco mais jovem. Ela para de andar arrumada, para de ir ao bailinho, e já não está tão feliz. O que está acontecendo? Ele está controlando o dinheiro dela e dizendo: "Tu não fazes isso...". Já identificamos como um problema porque já apareceu nos contatos de nossa rede. É um fato novo que vai aparecer com cada vez mais força.
No Brasil, em média quatro mulheres são mortas a cada 24 horas. Além da secretária, participaram do programa Letícia Mendes, repórter de GZH, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) e a promotora Luciana Cano Casarotto, da Vara de Feminicídios de Porto Alegre e vice-presidente da Associação do Ministéro Pùblico do RS.


