
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Além das questões geopolíticas e históricas envolvidas nas investidas dos Estados Unidos contra a Venezuela, há um outro pano de fundo para os desentendimentos entre os dois países: a riqueza energética venezuelana.
A Venezuela é o país com a maior concentração de petróleo em seu subsolo, superando a Arábia Saudita. No entanto, o país atualmente produz e vende apenas cerca de 1% do produto bruto consumido mundialmente.
Dados da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) referentes a 2022 apontam que a Venezuela conta com reservas provadas de 303 bilhões de barris. O mesmo número é confirmado pelo BP Statistical Review of World Energy 2023. Esses valores representam aproximadamente 18% das reservas provadas globais. Outra fonte, o Oil & Gas Journal, indica que o país detém cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo. Para efeito de comparação, a Arábia Saudita detém aproximadamente 15% das reservas provadas do planeta.
Há, porém, estimativas de que o volume total de recursos recuperáveis da Venezuela possa chegar a 513 bilhões de barris.
A produção atual do país, contudo, é baixíssima quando comparada ao tamanho de suas reservas. A Venezuela chegou a produzir quase 5% do petróleo mundial em 1997. Na década de 2000, a produção superava 3 milhões de barris por dia (bpd), mas sofreu um colapso drástico nos últimos anos. Em 2023, a produção média foi de apenas 780 mil bpd.
Um possível interesse por trás do conflito
Por mais difícil que seja afirmar o quanto Donald Trump está, de fato, interessado no petróleo de Nicolás Maduro, é possível que o recurso esteja nas entrelinhas do conflito.
Ainda no início de dezembro, o líder venezuelano enviou uma carta à Opep denunciando os Estados Unidos por, supostamente, usarem seu poderio militar para "se apoderar" do petróleo do país.
Especialistas, no entanto, divergem sobre essa motivação. O analista internacional da Roedel Intl Advisor, Cezar Roedel, por exemplo, acredita que o petróleo não seja a questão central.
— Eu acredito que não seja o ponto, até porque a Chevron, empresa americana, já opera poços de petróleo na Venezuela; não são só os chineses. A visão marxista parte do princípio de que toda guerra tem uma finalidade econômica — a busca do petróleo, a busca da riqueza — disse ele, no programa Conversas Cruzadas de segunda-feira (9).
Já o doutor em Ciência Política da UFRGS, Tarson Núñez, que participou do mesmo debate, defende que sim, há interesse dos EUA pelo petróleo venezuelano:
— Isso é uma visão realista. Na Escola das Relações Internacionais, esta é uma perspectiva realista. John Mearsheimer, um dos principais cientistas políticos americanos, que não tem nada de marxista, diz isso com todas as letras, e afirma inclusive que é um erro o que os Estados Unidos estão fazendo. No fundo, estão de olho no petróleo da Venezuela e têm uma motivação estritamente ideológica.





