
Um dos méritos do Projeto RioS, apresentado nesta segunda-feira (15) pelo governo do Estado, é tratar o tema da resiliência climática, da redução do risco de desastres e da promoção da justiça socioambiental de forma sistêmica. Um dos aprendizados a partir da grande enchente de 2024 é que a água não obedece a divisas municipais. Se chove muito no Planalto em pouco tempo, os cursos d'água conduzirão esse colossal volume, cidade por cidade, até o Lago Guaíba.
Não adianta construir um dique em Eldorado do Sul sem pensar que essa água contida ali vai ocupar a terra em outros locais, no bairro Arquipélago, na Capital, ou em Guaíba, por exemplo. Vasos comunicantes é um termo que aprendemos nas aulas de ciência.
A partir do acrônico RioS (Resiliência, inovação e obras para o futuro do Rio Grande do Sul), o projeto pretende fazer um raio x da região hidrográfica do Guaíba, que contém nove bacias hidrográficas e 252 municípios, sugerindo novas medidas para enfrentar os futuros eventos extremos. Foram feitos 180 projetos - investimento de R$ 30 milhões, via Funrigs, e a entrega de um documento final em 525 dias.
— Esse, eu tenho dito, não é apenas um desejo do Rio Grande do Sul, mas uma obrigação. O que nós vivemos nesses últimos eventos climáticos, nos dá uma obrigação em relação a nós mesmos, de recuperação e resiliência, mas nos impõe uma responsabilidade também de nos apresentarmos para o Brasil com um exemplo de projetos, programas, planos e de estratégia que deva ser observada por outras unidades da federação. Nós queremos poder servir não apenas de alerta, mas também de caminho, de proposta de caminho, de um plano que eles possam seguir também para evitar que tenham o tamanho dos transtornos que nós tivemos — disse o governador.
Outro mérito é a proposição de um projeto de tamanha envergadura, que só será apresentado no final do mandato. É um dos poucos planos no país que se pode chamar de Estado e não de governo. Se bem executado, poderá servir como um mapa do caminho para a próxima gestão lidar com o desafio de proteger a população de um Estado que, inclusive, tem a palavra Rio no nome.




