
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Desde o primeiro semestre deste ano, Estados Unidos e Venezuela trocam acusações e caminham para uma guerra. Há cerca de uma semana, Trump teria conversado por telefone com Nicolás Maduro. Teria dito que o ditador poderia "salvar a si mesmo e a sua família" renunciando ao poder e deixando o país. Os dias se passaram, e Maduro não atendeu ao chamado do republicano.
Mais recentemente, Maduro chegou a pedir para brasileiros irem às ruas para apoiar a Venezuela. Até Joesley Batista, da JBS, viajou à Venezuela para convencer Maduro a renunciar.
Mas, afinal, por que os Estados Unidos estão em pé de guerra com a Venezuela?
A hostilidade americana em relação ao governo venezuelano não é recente. O projeto socialista da Venezuela, chamado de "bolivarianismo" por seus autores, tem sido um incômodo para Washington desde a ascensão de Hugo Chávez, que assumiu a presidência em 1999.
A Venezuela posiciona-se contra a influência dos EUA na América Latina e construiu alianças com adversários estratégicos de Washington, como Cuba, Irã e Rússia.
Os atritos de Chávez com presidentes americanos começaram com Bill Clinton (1993–2001), quando o venezuelano visitou Saddam Hussein no Iraque (2000) e criticou as intervenções americanas.
Os anos com George W. Bush (2001–2009) no poder foram o período de maior confrontação. Chávez acusou Bush de apoiar o golpe de Estado fracassado contra ele em 2002. Em discurso na ONU, em 2006, por exemplo, em um dos momentos mais quixotescos da história da Assembleia Geral, ele chamou Bush de "diabo" e disse que o palco ainda cheirava a enxofre após a fala do presidente americano.
Com Barack Obama (2009–2013) as animosidades continuaram. Em 2009, Chávez acusou o americano de seguir os passos de Bush após a Casa Branca aumentar a presença militar na Colômbia. Em 2012, chamou Obama de "ignorante" em um discurso.
Chávez morreu de câncer, em 2013, após fazer um longo tratamento em Cuba. Maduro assumiu o poder.
Empossado nos EUA, Trump, em primeiro mandato (2017–2021), passou a pressioná-lo a deixar o cargo.
Em 2019, após considerar fraudulentas as eleições presidenciais de 2018, os EUA deixaram de reconhecê-lo como presidente legítimo e passaram a reconhecer Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional, como autoridade interina, alinhando-se a dezenas de outros países, inclusive o Brasil sob a presidência de Jair Bolsonaro.
Na mesma época, Trump impôs sanções econômicas progressivas para forçar a saída de Maduro, incluindo o congelamento de ativos da PDVSA (estatal petrolífera) nos EUA, restrições a setores-chave da economia venezuelana e pressão pelo isolamento financeiro internacional.
Ao retornar à presidência, em 2025, Trump inicialmente pareceu disposto a um diálogo pragmático com Maduro, mas interrompeu as aproximações e retomou a pressão para que o líder venezuelano deixe o poder. Os EUA não reconheceram os resultados das eleições de 2024, nas quais o venezuelano se considerou vitorioso, e apoiavam publicamente a candidata da oposição, María Corina Machado.
A principal acusação dos EUA contra Maduro é de que seu governo facilitaria o tráfico de drogas e a entrada de criminosos no território americano. Trump também sugeriu, sem apresentar provas, que a Venezuela estaria envolvida na produção ou distribuição de fentanil (opioide sintético, normalmente misturado a outras drogas, como cocaína).
Recentemente, os EUA incluíram o regime de Maduro na lista de governos considerados patrocinadores do terrorismo.




