
Enfiado na pauta de supetão, à fórceps, e aprovado na madrugada, o projeto de lei da Dosimetria foi desenhado sob medida para livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro da cadeia.
E assim caminha o Brasil, onde leis são aletradadas no meio da noite, nos últimos dias de dezembro, a toque de caixa, para que a população não reflita, não questione, e as forças políticas adversárias não tenham tempo de se articular.
Foi assim: uma pauta-surpresa, um debate na calada da noite, no fim de 2025, quando a opinião pública está não apenas cansada de tudo isso — de julgamento, de prisões, de tarifaços, de brigas entre o Supremo e Congresso -, mas também anestesiada com tanto cambalacho vindo do Planalto Central.
Se a anistia aos perpetuadores do 8 de Janeiro não vingou, nada como tirar da cartola a dosimetria, uma palavra esdrúxula, extraída do juridiquês, daquelas que muitos políticos gostam de usar justamente porque obscurece o debate e confunde o eleitor.
Se você pegou a informação pela metade nas redes sociais, não leu errado: o projeto aprovado na Câmara — e que começará a ser analisado pelo Senado na semana que vem —, pode reduzir a penas de Bolsonaro de 27 anos e três meses de prisão para 20 anos.
Assim, o tempo em regime fechado cairia de seis anos e 10 meses para dois anos e quatro meses; a partir disso ele poderia progredir para um regime menos restrito.
2025, o ano em que o Brasil virou exemplo global por condenar por golpe de Estado um ex-chefe de Estado, ministros e generais, termina com o famoso jeitinho. Vivemos em um país acostumado a não cumprir a regra do jogo, a tentar burlar o resultado e levar tudo para o tapetão.





