
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Pelo menos três temas geopolíticos devem dominar o noticiário internacional nestes últimos dois dias de 2025 e durante as celebrações da virada de ano.
O primeiro deles é o reflexo da reunião entre os presidentes Donald Trump e Volodimir Zelensky, realizada neste domingo (28). O encontro ocorreu após a apresentação de um plano de 20 pontos (originalmente 28) para um cessar-fogo com a Rússia, em um conflito que já dura quase quatro anos no Leste Europeu.
A viabilidade do plano agora depende de Moscou. Vale ressaltar que, poucas horas antes da reunião em Mar-a-Lago, a Rússia realizou um ataque massivo com milhares de drones contra o território ucraniano, sinalizando a dificuldade das negociações.
Outro assunto em pauta nesta semana refere-se às tensões entre Washington e Caracas. Embora os ânimos tenham amainado nos últimos dias, a presença militar americana no Mar do Caribe e a possibilidade de novas interceptações mantêm a diplomacia regional (incluindo a dos países vizinhos) em alerta.
Como gesto de distensão, na última sexta-feira (26), o governo de Nicolás Maduro libertou 99 pessoas detidas em protestos decorrentes das eleições de 2024.
Por fim, a pauta que dominou os corredores de Washington e que pode ter novos desdobramentos ainda esta semana refere-se aos documentos do caso Epstein. Na última terça-feira (23), antevéspera de Natal, membros do Partido Democrata divulgaram novos arquivos que vinculam o presidente americano a voos no avião particular de Jeffrey Epstein, bilionário condenado por chefiar uma rede de exploração sexual de menores.
Os registros indicam que Trump viajou ao menos oito vezes no jato de Epstein entre 1993 e 1996. Documentos revelados semanas antes também incluíam fotos de outras personalidades no círculo social do bilionário, como o ex-presidente Bill Clinton, o ator Kevin Spacey e os cantores Michael Jackson e Diana Ross.
É importante ressaltar que, embora seja notório que Trump e Epstein conviveram na década de 1990 na alta sociedade de Nova York, não há, até o momento, acusações formais ou provas de que o atual presidente tenha participado dos crimes cometidos pelo bilionário.

