
Desconfie sempre que um governo se propõe a criar um site para desmentir supostas "fake news". Em geral, o objetivo é exatamente o contrário: não apenas reforçar sua própria narrativa e atacar a imprensa profissional.
É o que faz, agora, a Casa Branca, ao lançou um site supostamente contra desinformação. Na verdade, é uma plataforma com ataques a veículos e jornalistas que publicaram reportagens críticas ao governo de Donald Trump. Intitulada "Infratores da Mídia", a página está como uma aba dentro do portal oficial do governo dos Estados Unidos.
O site reúne jornais e emissoras de TV citadas como tendenciosas, reportagens classificadas como "enganosas" ou "falsas", um "Hall da Vergonha" com jornalistas e veículos de comunicação destacados negativamente e até um ranking com os meios de comunicação que o governo Trump acusa de divulgar “notícias falsas”.
Trump é conhecido por atacar jornalistas. No primeiro mandato, elegeu a CNN como "inimiga do povo" - a expressão, inclusive, deu origem ao livro do repórter Jim Acosta, correspondente da emissora na Casa Branca no qual ele conta como como Trump utilizou a guerra à mídia para abalar a própria democracia americana.
Neste segundo mandato, Trump vitaminado pelos votos, vem dobrando a aposta contra jornais como The New York Times, The Washington Post e outras catedrais do jornalismo independente. Na semana passada, durante uma coletiva, ele chamou de "idiota" a repórter Nancy Cordes, da CBS. Em outubro, um grupo de jornalistas deixou uma coletiva no Pentágono em protesto contra uma norma que exigia verificação prévia de reportagens sobre o Departamento de Guerra antes da publicação.
Os movimentos dos últimos dias acirram ânimos. São uma tentativa deliberada de intimidar jornalistas, restringir a liberdade de imprensa e controlar narrativas.






