
Em mensagem de Ano-Novo divulgada nesta segunda-feira (29), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou preocupação com o que considera "profundas tensões e retrocessos sociais" em relação à democracia no país.
No texto assinado pelo presidente da entidade, cardeal dom Jaime Spengler, atual Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre, a cúpula da Igreja Católica no Brasil denuncia experiências que, em sua visão, "fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna".
Entre essas, destacam-se:
"o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança;
o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública;
a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder;
a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa;
o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional;
as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento;
a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância;
o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”;
a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional".
Também foram criticados discursos de ódio, manipulação da verdade, violências, radicalismos ideológicos e "interesses particulares não podem se sobrepor ao bem comum".
"Por isso, reafirmamos que nenhum projeto político pode se sobrepor à vida, ao respeito à pessoa humana, à justiça social e ao cuidado com a casa comum".
Na mensagem, a CNBB reitera oposição a iniciativas de legalização do aborto no Brasil.
A entidade também destaca o que considera notícias positivas, como o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes, a retirada de algumas tarifas americanas sobre produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais.
A CNBB ainda salienta a realização da COP30, em Belém, em novembro de 2025.




