
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, disse à coluna nesta quinta-feira (17) que a entidade não se manifestará sobre a decisão do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, de proibir que o padre Júlio Lancellotti transmitisse suas celebrações em redes sociais.
— É uma questão do referido presbítero com o seu bispo. Neste caso, a CNBB jamais vai se manifestar a respeito de uma situação específica. A missão da CNBB é promover e cuidar da comunhão entre os bispos. Ele (padre Júlio Lancellotti) esteve comigo aqui, semana passada, e tocou nesse aspecto; já tinha ciência de que seria conveniente afastar-se das redes sociais — disse o arcebispo de Porto Alegre.

Para o religioso, que também é arcebispo metropolitano de Porto Alegre, a medida pode ter relação com a polarização política no país.
— Não tenho dados suficientes para fazer um juízo sobre a decisão do cardeal, mas imagino que, por trás, esteja essa bendita polarização de grupos, seja de extrema direita, também no interior da Igreja... Há algumas vozes que se colocam, inclusive, acima do magistério, acho que acima de Jesus Cristo, em alguns setores. Eu não sei aonde isso vai nos levar. Imagino que se faça necessário discrição e tentar, na medida do possível, permanecer naquilo que, para nós, é fundamental: a comunhão e a unidade na Igreja.
Dom Jaime também acredita que, pelo histórico de vida de Júlio Lancellotti, que atua como vigário episcopal para a população de rua em São Paulo, o religioso exerce “um cargo de extrema confiança do próprio cardeal” dom Odilo.
Entenda o caso
Scherer determinou que Lancellotti suspendesse a transmissão de missas ao vivo e se afastasse temporariamente das redes sociais. A informação foi divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O cardeal também pode decidir pela retirada do padre da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, onde ele atua há mais de quatro décadas. A suspensão das transmissões foi comunicada pelo próprio padre Júlio no último domingo, durante uma celebração.
Em nota pública divulgada na segunda-feira (15), o religioso afirmou que a medida faz parte de um período de recolhimento temporário solicitado pela Arquidiocese. Ele ressaltou que as missas dominicais continuam sendo celebradas normalmente, às 10h, na Capela da Universidade São Judas, na Mooca.




