
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Nasry Asfura, também conhecido como "Tito" Asfura, teve sua vitória como presidente eleito de Honduras oficializada nesta quarta-feira (24). O resultado marca o retorno da direita ao poder e leva o Partido Nacional (PN) de volta à Casa Presidencial.
Asfura, de 67 anos e conhecido pelo estilo simples, venceu por menos de um ponto percentual o candidato Salvador Nasralla, do Partido Liberal (PL). A apuração dos votos, iniciada em 30 de novembro, estendeu-se por quase um mês. Esta foi a segunda tentativa de Asfura, que em 2021 havia sido derrotado pela atual presidente, Xiomara Castro. Ele assumirá o cargo em 27 de janeiro.
Apoio de Trump e Alinhamento Regional
Apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o empresário é visto pelo republicano como um aliado estratégico contra os "narco-comunistas". Durante o processo eleitoral, Trump chegou a ameaçar o corte de ajuda financeira a Honduras — um dos países mais pobres da América Latina — caso Asfura não fosse eleito.
Especialistas apontam que a estratégia de Asfura inclui a formação de um bloco conservador na América Latina, buscando alinhamento com líderes como Nayib Bukele, em El Salvador, e Javier Milei, na Argentina.
Desafios e Controvérsias
Apesar da vitória, Asfura carrega o estigma de pertencer a um partido cujo ex-mandatário, Juan Orlando Hernández (2014-2022), foi extraditado e condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão por narcotráfico em 2024. Durante a campanha, Asfura afirmou liderar um partido "renovado" e negou vínculos com Hernández.
No campo diplomático, o presidente eleito expressou a intenção de reaproximar Honduras de Taiwan, revertendo a decisão de Xiomara Castro, que estabeleceu relações com a China em 2023.
Trajetória
Filho de imigrantes palestinos, Asfura nasceu em Tegucigalpa, cidade da qual foi prefeito por dois mandatos (2014-2022). Embora tenha cursado Engenharia Civil na Universidade Nacional, abandonou os estudos para fundar o que viria a ser um dos maiores grupos de construção do país. É popularmente chamado de "Papi, a la orden" (Papai, ao seu dispor).
Sua trajetória, contudo, não é isenta de polêmicas. Ele já foi alvo de investigações por suposto desvio de recursos municipais (caso que o Supremo Tribunal decidiu não levar a julgamento) e citado nos "Pandora Papers" devido a empresas offshore no Panamá, levantando suspeitas de evasão fiscal.






